Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 13/06/2021

Os poetas Românticos do século XIX, no Brasil, usavam da arte escrita para fugir da realidade e dos problemas pessoais. Paralelamente a isso, o aumento de dependendes químicos revela que o homem hodierno também tem dificuldades de lidar com os impasses cotidianos, uma vez que, muitas vezes, faz o uso de drogas entorpecentes, com o intuito de escapar das suas angústias. Em virtude disso, o país tem enfrentado dasafios sociais e midiáticos para oferecer tratamentos eficazes para essas pessoas que se tornaram subalternas às drogas.

A princípio, é válido destacar que o preconceito da sociedade para com os dependentes químicos dificulta o tratamento dessa doença. Baseado nisso, a Classificação Internacional das Doenças, CID, considera o vício em drogas e de outros narcóticos, como sendo uma enfermidade crônica, que carece de auxílios médicos. Porém, a falta dessa compreensão faz com que o meio social, como a família, instituição responsável por proteger e orientar os indivíduos, exclua os usuários de drogas, taxando-os como perigos para a ordem da comunidade e recusando-lhes apoio moral e financeiro. Consequentemente, essas pessoas doentes, por medo dos julgamentos da sociedade e da sensação de abandono, desistem de buscar tratamentos médicos ou centros de reabilitação, agravando ainda mais o seu estado clínico.

Ademais, a influência midiática no incentivo ao uso de drogas danosas prejudica o solucionamento para o problema da dependência química. Partindo disso, é evidente que a mídia, como a televisão e as redes sociais, se tornou parte da vida da maioria dos indivíduos, alcançando grande poder de controle sobre eles. Sendo assim, a presença explícita de narcóticos, como álcool, cigarros e LSD, em anúncios e novelas, retratadas, em sua maioria, de forma normalizada e sem informações acerca dos seus malefícios, desperta o interesse dos telespectadores por esses produtos tóxicos, que são viciantes durante o primeiro contato. Dessa forma, a influência negativa da mídia no estímulo ao uso de entorpecentes causa o adoecimento da população, dificulta o tratamento dos dependentes de drogas, além de colocar o indivíduo doente em um estado classificado por Kant de Menoridade: situação na qual o homem é incapaz de tomar suas próprias decisões, sem ser manipulado por outros.

Posto isso, é vital que o Governo Federal auxilie as famílias, por meio de orientações domiciliares com psicólogos, que orientem a como tratar de parentes dependentes de drogas, além de conceder apoio financeiro aos lares com rendas insuficientes para pagar clínicas de reabilitação, a fim de que o meio familiar apresente-se como ajudador aos viciados em drogas. Ademais, o Ministério da Justiça deve proibir as empresas midiáticas apresentarem conteúdos que estimulem o uso de substâncias químicas.