Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 26/07/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”.O famoso trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade é uma metáfora para desafios.Análogo à citação,ao analisar o contexto brasileiro,percebe-se que o tratamento dos dependentes químicos ainda enfrenta imbróglios que dificultam sua eficácia.Infelizmente,a negligência governamental e o estigma existente sobre os viciados em drogas são fatores que inviabilizam a luta contra o vício, tornando-se jus combater essa problemática.
Nessa lógica,é imperioso salientar a ineficácia estatal como incidente nesse problema.Conforme a Constituição brasileira,o Estado tem o dever de garantir uma saúde de qualidade à população.Entretanto,é evidente que essa lei não é efetiva, haja vista a prioridade do Governo federal sobre o combate ao tráfico,em detrimento de políticas públicas de tratamento do dependente químico.Sob essa óptica,considerando que o vício em drogas é um problema de saúde pública, e que a precariedade e a pouca de disponibilidade de centros de reabilitação são uma realidade por todo país,fica claro a falha do Estado em cumprir sua função social, atuando como uma “Intituição Zumbi”,segundo o sociólogo Zygmunt Bauman.Assim,é crucial uma mudança na postura estatal.
Outrossim,ressalta-se que o estigma sobre o dependente químico é um impasse para o tratamento desses indivíduos.Sobre isso,é pertinente abordar as discussões apresentadas por Byung Chu Han,em seu livro “A sociedade do cansaço”.Nele,o sociólogo afirma que a individualidade fomentada pelo capitalismo gera uma cultura de desrespeito à pluraridade dos indivíduos,existindo uma intolerância e exclusão daqueles que não se enquadram em determinado padrão.De maneira análoga ao supracitado pensamento,percebe-se uma antipatia e exclusão do viciado em drogas na sociedade brasileira,o que, consequentemente,dificulta o tratamento desses indivíduos,por fomentar um descaso acerca deles e das instituições responsáveis por sua recuperação.Assim,faz-se jus a dissolução dessa conjuntura.
Infere-se, portanto,medidas que mitiguem os imbróglios associados ao tratamento dos dependentes químicos no Brasil.Para tanto,o Ministério da Saúde deve promover uma maior contratação de especialistas em dependência química nos centros de tratamento, bem como melhorias na infraestrutura e distribuição de comunidades terapêuticas de reabilitação por todo o país. Tal ação pode ser concretizada por meio de investimentos diretos nessas instituições e de incentivos fiscais a empresas que subsidiam tais comunidades,visando aumentar a acessibilidade ao tratamento. Ademais,cabe às mídias sociais produzirem ficcões engajadoras que humanizem os dependentes químicos,a fim de atenuar o descaso sobre estes.Assim, a partir dessas ações, o trecho do poeta modernista não será análogo ao panorama do Brasil.