Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 04/08/2021
Observa-se que, no Brasil, pouco se tem discutido acerca dos desafios para o tratamento de dependentes químicos. Isso é evidenciado, infelizmente, devido ao descaso com os usuários e, também, ao individualismo da população. Logo, remediar essa problemática é imprescindível para a plena harmonia social.
É mister salientar - em primeiro plano - o conceito de “Banalidade do Mal” da socióloga Hannah Arendt. Nesse sentido, há a normalização de uma mazela quando existe, para Arendt, uma ausência de reflexão a respeito dos diversos males que circundam a sociedade. Pode-se relacionar tal premissa com a naturalização do descaso dos usuários. Isso ocorre quando o Poder Público investe mais em campanhas no combate ao tráfico, o que ocasiona o aumento nos gastos com detentos, do que em tratamentos com dependentes químicos. Tal entrave evidencia, no indivíduo, consequências preocupantes como o adoecimento físico e o psicológico bem como o comportamento agressivo.
Cabe mencionar, em segundo plano, que o corpo social atual possui os laços afetivos fragmentados, isto é, o ser humano transformou-se de cidadão político a consumidor de mercado - segundo Zygmut Bauman. Diante dessa perspectiva, vale ressaltar o individualismo. Percebe-se que, atualmente, a persistência do preconceito em relação ao uso de drogas gera um tabu, sendo assim, bem como proposto por Bauman, as pessoas não se preocupam com as outras, uma vez que falta empatia. Essa situação calamitosa, certamente, dificulta no tratamento de dependentes químicos, visto que esses indivíduos não têm o apoio da coletividade.
Ao Ministério da Saúde e da Cidadania em parceria com as ONGs, portanto, cabe a criação de campanhas informativas que incentivem a população a refletir e discutir sobre o assunto a fim de desconstruir o tabu das drogas e que desperte a atenção ao dependente voltada ao consumo, ao invés de encarceramento. Essa ação será feita por meio de palestras em plataformas de “streaming” - Netflix e Youtube - e de jornais na mídia televisiva. Tal conduta terá por finalidade remediar os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil.