Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 13/08/2021

Crescimento no número de usuários, descaso com os viciados. Esses exemplos evidenciam os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil, muitas vezes, essa dependência é causada pela pressão social e, também, por incentivos midiáticos. Isso, infelizmente, gera consequências preocupantes, mostrando necessidade de solução.

É impreterível destacar que a imposição social contribui para o crescimento no número de dependentes químicos no Brasil. Em razão de existir um padrão estabelecido pela sociedade como sinônimo de sucesso, há uma busca constante para atingir esse modelo. Por exemplo, no texto “Exaustos, Correndo e Dopados”, a jornalista Eliane Brum utiliza o gerúndio, intencionalmente, para demonstar como as pessoas estão em uma busca contínua para se encaixar nesse modelo estabelecido. Isto é, a sociedade estabelece moldes, como o corpo ideal, então alguns indivíduos, que não se encaixam, usam, exageradamente, medicamentos para alcançar esse ideal, já que possuem predisposição à depressão, a doenças psicossomáticas — ansiedade, síndrome do pânico, irritabilidade. Consequentemente, esse desequilíbrio mental aliado à pressão social gera um ciclo vicioso, logo, o indivíduo afetado recorre ao uso de drogas e isso aumenta o números de dependentes químicos, tornando esse um desafio para o tratamento de tais pessoas.

Vale ressaltar, também, que o estímulo midiático possibilita que indivíduos tornem-se dependentes químicos. Ou seja, de maneira indireta, filmes, séries, músicas induzem um grupo de pessoas — as quais possuem certa tendência ao vício — a recorrerem às drogas, ao álcool por meio do comportamento dos personagens. Por conseguinte, essa recorrência é constante e a pessoa torna-se dependente, entretanto, os não usuários preferem menosprezar esses viciados em vez de os ajudarem a deixar o vício. Segundo o sociólogo Zygmunt Baumann, esse descaso ocorre, pois o ser humano, considerado por ele como líquido, adotou um novo modo de pensar, porque essa nova sociedade — competitiva e com mudanças rápidas — impede a empatia entre as pessoas. Por isso, essa indiferença é um dos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com plataformas de “streaming” — Netiflix, Instagram e Youtube — criarem campanhas educativas e informativas. Isso deve ser feito por meio de séries, de documentários, de telenovelas os quais mostrarão os desafios para o tratamento de dependentes químicos. Tal atitude tem a finalidade de impulsionar a reflexão e o diálogo sobre o consumo de drogas, além de evidenciar a impotância do apoio familiar e social para a recuperação desses indivíduos, remediando, assim, as consequências desse problema.