Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 08/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante que todos possuem o direito à saúde, à educação e informações de qualidade. Todavia, é perceptível que a Carta Magna não é cumprida de modo eficiente, em razão dos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Isso está ligado à falta de clínicas públicas e ao preconceito social. Dessa maneira, faz-se necessário o debate acerca desse tema.
A princípio, é válido ressaltar que muitos usuários de drogas e a família sofrem com a escassez de clínicas públicas para tratamento. Nesse sentido, em uma passagem da série televisiva “Pedro Dom”, retrata o drama de um pai que vende todos os seus bens de valor para pagar as sucessivas internações de seu filho, que é viciado em cocaína. Fora da ficção, muitas famílias não possuem recursos para arcar com os custos de tratamento para usuários de substâncias ilícitas. Isso ocorre pela escassez de investimentos governamentais em postos de saúde próprios para cuidado, bem-estar e auxílio do dependente químico, visto que o vício ainda não está associado a um problema de saúde pública. Por essa razão, o estado precisa providenciar estabelecimentos para o tratamento do usuário, a fim de mitigar essa problemática e cumprir com a Constituição.
Ademais, convém salientar que o preconceito é um fator que contribui com o aumento de dependentes químicos. Esse panorama ocorre porque o vício em drogas não é tratado como problema de saúde. Em razão disso, tal assunto é pouco retratado nas escolas e em campanhas publicitárias. Consoante ao filósofo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoas determinam seu entendimento do mundo que a cerca. Concatenado a esse pensamento, a escassez de conteúdos para discutir e informar sobre as drogas e suas implicações dificulta o tratamento do doente e colabora com o preconceito, haja vista que as pessoas, por possuírem pouco entendimento do assunto, passam a acreditar que o indivíduo está utilizando substâncias químicas porque quer. Desse modo, medidas são essenciais para amenizar essa questão.
Diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio de verbas governamentais, disponibilizar clínicas públicas especializadas em tratamento de usuários de drogas pelo sistema único de saúde (sus) com estruturas e profissionais adequados para o atendimento eficiente dos pacientes, com o objetivo de democratizar a saúde para os dependentes químicos. Além disso, o Ministério da Educação, juntamente com a mídia, por meio da propaganda, fornece ao longo do ano anúncios na televisão e internet sobre os problemas e malefícios das drogas para a mente e corpo dos indivíduos, com o propósito de diminuir o vício. Feito isso, é possível o cumprimento devido da Carta Magna.