Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 22/09/2021
A cantora Amy Winehouse, responsável por uma revolução no meio musical nos anos 2000, sofria com dependência química e era muito estigmatizada por isso. Da mesma forma, dependentes brasileiros são alvo do preconceito social, o que atrapalha a busca de um tratamento. Nesse contexto, o vício em drogas está diretamente relacionado ao ambiente em que o indivíduo está inserido, e no entanto a insistência da sociedade em desvinculá-lo dela se torna um desafio. Diante disso, para se evitar fins com o da Amy- a morte por intoxicação alcóolica- em nossa população, cabe ao Estado a atuação nesse problema.
Nesse viés, a dependência química tem sua origem da relação entre o cidadão e o ambiente em que ele está inserido. O professor de neurociência Karl Heart também conclui isso, em sua obra " um preço muito alto", em que detalha que ao oferecer à viciados alternativas mais recompensantes em troca do uso de drogas, a maioria optou pela recompensa, e conseguiram ficar sem utilizar as substâncias no tempo estipulado. Logo, uma esfera social que possibilita elementos mais ou menos gratificantes, determinará a ocorrência da dependência. Comprova-se isso, com o fato de que na pandemia de Sars-Cov-19, que gerou crises econômicas e sociais, houve um aumento de 54% no atendimento à dependentes químicos pelo Sistema Único de Saúde no ano posterior- 2020 -, consoante ao portal do Ministério da Saúde, revelando a influência do ambiente.
Ademais, esse quadro é intensificado pela falta de aceitação social de que o problema é gerado pela própria sociedade. Isso é presenciado com recorrência na história brasileira, por exemplo no caso do hospital psiquiátrico “colônia”, em que como relatado na obra “Holocausto Brasileiro” da jornalista Daniela Tabex, muitos indivíduos, entre eles dependentes químicos, eram mandados para esse ambiente pela família e governo sem a intenção de recuperá-los. Da mesma forma, muitos viciados atualmente são apenas taxados de “criminosos” ou “nóias”, sem uma ação significativa para solucionar as causas do problema, se convertendo então em um desafio para saná-lo.
Nesse panorama, é necessário medidas que consuma os preconceitos que atrapalham o tratamento aos dependentes químicos. Sendo assim, cabe ao Estado promover o bem estar social por meio do investimento na melhoria da infraestrutura pública- ruas e parques- e assim, possiblitar alternativas de lazer mais recompensantes que as drogas. Destarte, com o apoio da mídia na realização de eventos nessas áreas de lazer, ao trazer especialistas como pesquisadores e psicólogos do ramo da saúde compulsiva, será possível elucidar a sociedade sobre como seu julgamento afeta a vida dos dependentes.