Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 15/03/2023

O tratamento de dependência química consiste no conjunto de ações que visam mitigar a abstinência do uso de entorpecentes e reabilitar os dependentes à vida social. No Brasil, essas ações ainda são pouco elaboradas, devido aos diversos obstáculos. Entre eles, destaca-se o ponto de vista moralizado sobre a dependência química, e a inexistência de medidas eficientes para conter e conscientizar acerca da utilização indevida de narcóticos.

Nessa lógica, é essencial expor a existência de uma perspectiva moralizante da dependência química, insuflada pela criminalização das drogas, não a tratando como o que ela é: problema de saúde. Sob essa ótica, Karl Marx orienta que as análises da materialidade devem ser pautadas sob o fundamento do materialismo-dialético — as ciências naturais e sociais —, e não o idealizado — a moral. Nesse sentido, considerando os efeitos psicobiológicos, como alteração na homeostase cerebral, e causas sociais, como tentativa de fuga da realidade, é substancial o entendimento da dependência química como patologia. Assim, é necessário repensar os critérios avaliativos, objetivando resultados verídicos dos imbróglios.

Além disso, a incompreensão da adicção como problema de saúde pública impede a criação de medidas profiláticas para contê-la desde o início. Acerca disso, Dráuzio Varella, médico e pesquisador, aponta que as ações mais capazes para o combate de doenças se dão na sua prevenção — o que ocorre também com toxicomania. Dessa maneira, os protocolos existentes ficam restritos a tratar do caso quando ele já está ocorrendo, ao invés de atacá-lo radicalmente: na consciência do potencial viciado, alertando sobre as consequências do seu uso e orientando-o a outras esferas de saúde que podem ajudá-lo, como a terapia.

Diante dos fatos, ficam expostos os desafios para o tratamento da dependência química no Brasil. Por isso, caberá ao Ministério da Saúde o estabelecimento da dependência química como patologia biopsicossocial. Após isso, deve ser campanhas de conscientização acerca dos efeitos do usufruto de drogas, além do investimento em esportes e a democratização do acesso ao psicólogo, a fim de mitigar o crescimento do número de usuários de entorpecentes. Atitudes assim contribuirão positivamente ao país.