Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil
Enviada em 12/03/2024
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor Thomas Morus - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea, no tocante aos desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Nesse sentido, há de se desconstruir os efeitos da modernidade líquida, bem como o preconceito da sociedade.
A princípio, a busca pelo alívio frente aos problemas da sociedade moderna é um desencadeador do vício em entorpecentes. A respeito disso, o psicanalista Freud, conceitua o termo “Cultura do Sucesso” como a busca do indivíduo moderno em obter êxito em todas as suas atividades, a fim de satisfazer as expectavias sociais. Contudo, tal contexto promove a culpa e o mal-estar da modernidade. Desse modo, os indivíduos tentam fugir da realidade a partir de drogas, o que acarreta na dependência química.
Outrossim, o preconceito da sociedade é outro complexo dificultador. Nessa perspectiva, o sociólogo Gilberto Freyre ensina em “Casa Grande e Senzala” que a sociedade impõe diversos padrões sociais e, quem lhes desobedece, é alvo de preconceito. Sob essa lógica, o corpo civil tende a julgar os dependentes químicos como indivíduos sem caráter e má conduta. Desse modo, o grupo possui seu processo de ressocialização dificultado pelo preconceito social, uma vez que as pessoas não admitem ex-dependetes em trabalhos formais e outras atividades.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas, a fim de facilitar o tratamento de dependentes químicos. Para tanto, o Ministério da Saúde deve promover nas mídias digitais, como canais abertos e redes sociais, campanhas e debates que esclareçam as pessoas sobre a importância de cuidar da saúde mental e em situações de sobrecarga mental procurarem ajuda médica e psicológica. Ademais, em tais conteúdos informativos também deve ser desconstruído o preconceito em relação à dependência química. A finalidade de tais ações seriam, assim, não só desestimular a busca por entorpecentes, mas também conscientizar os indivíduos.