Desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil

Enviada em 21/02/2025

A Constituição Federal de 1988 assegura um dos preceitos fundamentais a qualquer cidadão: direito à saúde. Contudo, não é o que se observa em um país em que muitos brasileiros estão em situação de dependência química e, para piorar, sem acesso à tratamentos de reabilitação. Nesse sentido, os principais fatores que corroboram para isso são o preconceito e a ineficiência das instituições públicas em efetivar os direitos estabelecidos por lei.

Diante desse cenário, vale destacar a triste realidade de segregação na qual os dependentes químicos vivenciam como um dos desafios para o seu tratamento. Sob esse viés, o humanista Albert Einstein declara que é mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com um preconceito. Nessa perspectiva, é evidente que uma sociedade em que as pessoas sejam ensinadas a terem posicionamentos individualistas, que não vejam o “outro” como humano, está fadada ao fracasso, pois sem as virtudes de empatia e solidariedade, pilares da democracia, é impossível a convivência em comunidade. Desse modo, é imperioso que sujeitos nessa situação sejam ouvidos e acolhidos, de modo que facilitaria muito a sua adesão à programas de reabilitação contra o vício.

Ademais, cabe salientar a ineficácia das instituições públicas em cumprir os preceitos constitucionais. Nesse âmbito, o jornalista Gilberto Dimenstein afirma que, no Brasil, existe uma “cidadania de papel”, na qual são garantidos muitos direitos, mas que na prática, não se efetivam. À vista disso, nota-se que, quando os indíviduos em dependência química ficam alienados de condições dignas de sobrevivência, as entidades governamentais falham em executar sua função, de maneira que seria indispensável a oferta de tratamento e acolhimento a essas pessoas. Logo, efetivar os direitos sociais e manter a ordem pública é vital.

Portanto, é urgente contornar os desafios para o tratamento de dependentes químicos no Brasil. Para tanto, o Estado, por meio do Ministério da Saúde, deve investir em meios de reabilitação e tratamento desses indivíduos, mediante a oferta de casas de apoio e internação, com oferta de profissionais qualificados, como psicólogos, enfermeiros e médicos, com o intuito de reintegrar esses cidadãos à sociedade. Assim, os preceitos constitucionais serão efetivados.