Desafios para promover a equidade de gênero e o empoderamento feminino
Enviada em 25/10/2025
O filme ‘’Barbie’’ lançado em 2023 retrata uma realidade distópica, na qual as mulheres ocupam a maior parte dos cargos de poder, digam as regras sociais e comandam a cidade. Ao transpor a ficção e analisar a atual conjuntura brasileira, percebe-se uma realidade oposta que revela a ausência de equidade de gênero no país. Nesse contexto, deve-se observar como o legado histórico e a inoperância governamental impulsionam tal problemática.
Diante desse cenário, nota-se a construção histórica do Brasil como fator determinante para a persistência desse impasse. Nesse sentido, os direitos políticos e sociais das mulheres foram tardiamente adquiridos, como por exemplo, foi apenas na década de 2000 que a violência contra a mulher foi considerada criminosa. Desse modo, é nítido o atraso das leis e da máquina pública em assegurar direitos que deveriam ser básicos para a promoção da equidade. Assim, fica claro o caráter estrutural dessa questão.
Ademais, ressalta-se a inoperância governamental como agravante desse cenário. De acordo com o geógrafo Milton Santos em seu texto ‘’As cidadanias mutiladas’’ a cidadania só atinge a plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social são homogeneamente desfrutados. Todavia, no contexto atual, a passividade do estado distancia as mulheres dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que não realiza ações efetivas para reparar os danos dos atrasos em seus direitos sociais. Dessa forma, enquanto o estado não cria mecanismos de inclusão feminina em cargos de poder e relevância social, a questão irá se perdurar.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portando, cabe ao estado, em sua função de promotor do bem estar social, criar cotas sociais para mulheres em cargos públicos e realizar campanhas em escolas para conscientização da desigualdade histórica, mediante palestras em sala de aula. Tal ação terá como finalidade construir uma sociedade mais igualitária, na qual o empoderamento feminino é possível.