Desafios para promover a equidade de gênero e o empoderamento feminino
Enviada em 22/10/2025
Na obra O Segundo Sexo, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, evidenciando como a construção social de gênero define papéis e limita oportunidades. No Brasil contemporâneo, a desigualdade entre homens e mulheres ainda é prejudicial ao desenvolvimento social. A ausência de políticas eficazes e o predomínio de estereótipos patriarcais comprometem o avanço da equidade de gênero e o fortalecimento do empoderamento feminino.
Com efeito, a primeira barreira reside na desvalorização do trabalho feminino. Dados do IBGE apontam que mulheres ganham, em média, 22% menos que homens. Essa disparidade salarial reflete uma estrutura arbitrária, na qual a figura masculina é vista como referência de competência. Entretanto, essa desigualdade não é apenas econômica, mas simbólica, pois naturaliza a ideia de que a mulher deve ocupar espaços secundários. Tal realidade inviabiliza a consolidação de uma sociedade meritocrática e coerente com os ideais de justiça social.
Ademais, a violência de gênero constitui outro obstáculo expressivo. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de agressão física a cada quatro minutos no país. Apesar da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabelece mecanismos de proteção, a ausência de infraestrutura e de capacitação profissional torna sua aplicação ineficaz. Enquanto a impunidade prevalecer, o Brasil permanecerá refém de um cenário alarmante de violação dos direitos humanos e de fragilidade institucional.
Portanto, é necessário que o Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com Organizações Não Governamentais, promova campanhas midiáticas de combate ao machismo, por meio de programas televisivos e ações nas redes sociais, a fim de difundir a importância da igualdade de gênero e incentivar denúncias de violência. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir debates sobre equidade e respeito às diferenças nos currículos escolares, com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para formar cidadãos conscientes e críticos. Assim, será assegurado o direito à igualdade e o Brasil avançará rumo a uma nação livre, justa e solidária.