Desafios para promover a equidade de gênero e o empoderamento feminino

Enviada em 27/10/2025

Simone de Beauvoir, em sua obra “O Segundo Sexo”, afirma que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, apontando que o papel feminino é construído e moldado por estruturas sociais - podendo ser desiguais. De maneira análoga, a busca pela equidade de gênero e pelo empoderamento feminino ainda enfrenta obstáculos enraizados em padrões culturais e políticos que perpetuam a desigualdade. Diante disso, cabe refletir acerca da persistência do machismo estrutural e da falta de acesso igualitário a oportunidades.

Nesse contexto, é válido considerar o patriarcado instrínseco como principal fator catalisador do problema. Isso ocorre, pois, conforme a perspectiva de Hannah Arendt, o poder legítimo se constrói pela ação coletiva e pela participação ativa dos indivíduos na esfera pública. Sob essa ótica, é nítido que a reprodução de normas, discursos e práticas excludentes em instituições políticas, econômicas e culturais consolida a marginalização feminina, reduzindo a capacidade de mulheres e meninas de influir nas decisões que afetam suas vidas.

Ademais, é relevante trazer em pauta a fragilidade das práticas educativas e cívicas como consequência direta desse quadro. Segundo Malala Yousafzai, a educação é a ferramenta primordial para emancipar meninas e jovens, ampliar oportunidades e romper ciclos de opressão. A partir disso, percebe-se que a ausência de políticas educacionais que abordem gênero, cidadania e direitos humanos aliada à falta de acesso de parcela significativa da população feminina à educação de qualidade impede a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a transformação social, comprometendo iniciativas de empoderamento e perpetuando desigualdades interseccionais.

Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação - em parceria com organizações civis - crie programas escolares de conscientização sobre igualdade de gênero, por meio de palestras, campanhas e materiais educativos com a finalidade de formar cidadãos conscientes e incentivar o protagonismo feminino. Assim, como defendem beauvoir, arendt e malala, apenas pela união entre educação, ação coletiva e reflexão social será possível alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.