Desafios para promover a equidade de gênero e o empoderamento feminino

Enviada em 24/10/2025

No filme brasileiro Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, a personagem Val simboliza a mulher que enfrenta desigualdades estruturais e hierarquias sociais historicamente enraizadas. Fora da ficção, o cenário brasileiro ainda reflete a mesma disparidade: mulheres continuam a ocupar posições subalternas e a enfrentar obstáculos no mercado de trabalho e na política. A persistência da desigualdade de gênero e a fragilidade de políticas efetivas tornam o empoderamento feminino um desafio urgente e peremptório.

Em primeiro lugar, a sub-representação política feminina limita a construção de políticas públicas inclusivas. De acordo com a ONU Mulheres, apenas cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional são ocupadas por mulheres. Essa disparidade demonstra que a democracia brasileira ainda é incompleta, já que a representatividade de gênero é essencial para decisões plurais. Todavia, fatores culturais e preconceitos estruturais dificultam o acesso das mulheres a posições de liderança, perpetuando uma lógica arbitrária de poder. Enquanto tal cenário persistir, a igualdade política será apenas um ideal distante.

Além disso, o machismo estrutural reforça padrões de comportamento que naturalizam a inferiorização feminina. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de feminicídios cresceu nos últimos anos, evidenciando a ausência de políticas preventivas eficazes. Embora a Lei Maria da Penha represente um marco jurídico inovador, sua aplicação ainda é limitada pela falta de capacitação de agentes públicos e pela carência de recursos em centros de acolhimento. Tal negligência estatal é prejudicial à segurança e à dignidade das mulheres brasileiras.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Justiça, em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça, amplie políticas de incentivo à presença feminina no sistema judiciário, por meio de cotas temporárias e capacitação profissional, a fim de garantir maior representatividade e equidade institucional. Além disso, o Ministério da Educação deve criar campanhas pedagógicas sobre igualdade de gênero e respeito mútuo, por meio de programas escolares e mídias educativas, para desconstruir estereótipos desde a infância.