Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/09/2020
No documentário americano “The Hunting Ground”, são apresentados casos verídicos de agressões físicas, morais e sexuais que mulheres estudantes sofrem nas escolas de ensino superior. Analogamente à dramaturgia, na realidade hodierna, a violência de gênero dentro das universidades também é recorrente, configurando um grave problema. Esse agrave é consequência da sociedade patriarcal brasileira e da naturalização desse crime. Sob esse viés, medidas governamentais são necessárias contra essa problemática.
Em primeira análise, é importante destacar a sociedade patriarcal como fator do problema. Nos casos expostos pelo documentário “The Hunting Ground”, a grande maioria não tem um desfecho justo, isto é, os homens praticantes dos assédios e das agressões não são condenados e culpados. Nesse contexto, o patriarcado tende a dar autoridade de liderança e de voz ao sexo masculino que, por conseguinte, usa sua superioridade moral para objetificar as mulheres, logo, casos de estupro, assédio e desmoralização são frequentemente praticados por eles. Em vista disso, pelos crimes ficarem impunes e a justiça não dar voz às vítimas, o problema tem tendência a persistir e, assim, as consequências são contínuas, sobretudo, as doenças psicossomáticas - conjunto de enfermidades físicas e mentais - com sintomas de ansiedade, depressão, estresse e insônia.
Outrossim, a naturalização das agressões é outro fator da problemática. Segundo a filósofa Hanna Arendt em sua tese “Banalidade do Mal” sempre que ocorre a falta de reflexão sobre determinados assuntos, por exemplo, a violência de gênero, o mal encontra espaço para se instalar, ocorrendo a normalização, ou seja, a banalização da maldade. Sob essa ótica, é possível analisar essa normatização quando casos de violências dentro das universidades, tanto de professoras, quanto de alunas, são desvalorizados, considerados corriqueiros e julgados negativamente. Dessarte, a falta de adesão aos relatos femininos, principalmente nos cursos predominados por homens, como a engenharia e a robótica, propiciam o problema a não ser enfrentado e, consequentemente, gera a desistência das mulheres vítimas do problema de seus estudos e futuros.
Em síntese, cabe uma parceria público-privada do Ministério da Educação com as universidades, na qual crie projetos que busquem desconstruir o conceito de sociedade patriarcal, por meio de palestras nas instituições de ensino superior - principalmente para os cursos predominados por homens - a fim de combater a violência de gênero nesses lugares. Ademais, essa ação irá desnormalizar os relatos de agressões e, desse modo, o Brasil deixará de praticar o conceito de “Banalidade do Mal”, apresentado por Hannah Arendt, que reflete sobre essa trivialidade da violência de gênero (nas universidades).