Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 14/09/2020
No filme “O Renascimento do Parto”, é retratada a grave realidade obstétrica mundial, principalmente brasileira, que se caracteriza pelo número alarmante de cesarianas e de intervenções traumáticas dispensáveis. Diante disso, é possível perceber que, embora tenha mais benefícios, o parto humanizado frequentemente tem sido desvalorizado nos hospitais. Sendo assim, resta saber quais os motivos que têm dificultado a promoção desse processo no país.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, de interesses econômicos. Segundo do Ministério da Saúde, na rede privada, o índice de partos cesários chega a 82% e na rede pública 37%. Isso se deve, principalmente, ao fato de que, em hospitais públicos, muitas vezes, os médicos têm a obrigação de cumprir apenas a sua carga horária, já em hospitais privados, é preciso que eles se adaptem à demanda do hospital. Dessa maneira, parece mais prático agendar um parto cirúrgico, visto que há mais facilidade de organização.
Além disso, o excesso de cirurgias cesarianas se deve, principalmente, ao desconhecimento que as mulheres têm em relação aos benefícios do parto normal. Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil apresentou nas últimas décadas aumentos significativos nas taxas de parto cesárea. É fato que, quando a situação exige, a cirurgia cesariana traz benefícios à gestante e ao recém-nascido. Mas, quando feita de forma indiscriminada, pode implicar em riscos para a mãe ou para o feto.
Diante disso, conclui-se que minimizar os desafios de promover o parto humanizado no Brasil não se apresenta como tarefa fácil, porém, tornar-se-á possível por meio de uma abordagem educacional. Para tanto, o Ministério da Saúde, com o apoio da mídia, devem promover uma campanha através de emissoras de TV e plataformas digitais que apresentem tanto os benefícios do parto humanizado como os riscos daqueles que são realizados de forma cirúrgica. Assim, será possível, de fato, restringir os impactos negativos de cirurgias feitas sem necessidade.