Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 20/09/2020

“As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante.” Essa afirmativa do sociólogo e economista Karl Marx se relaciona com os desafios para promover o parto humanizado no Brasil, na medida em que a cesárea está cristalizada no imaginário coletivo, devido aos interesses da elite. Essa situação é resultado inegável do sistema econômico capitalista enraizado na saúde, o qual visa o lucro máximo. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar essa problemática, pode-se destacar o interesse mercadológico no nascimento e a monopolização da informação.

Primeiramente, é evidente que o desejo de lucratividade sobre o parto, somado a mentalidade capitalista dentro do sistema de saúde, alicerça o quadro de desvalorização do trabalho de parto humanizado. É incontestável que esse cenário advém da sistematização desse processo, o qual passa a funcionar como uma esteira de produção fordista, sem a individualização de cada caso. Essa realidade se assemelha ao pensamento do escritor Millôr Fernandes, de que “o dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.” Portanto, percebe-se que a predominância do parto cirúrgico é uma questão de interesse mercadológico.

Além disso, é indubitável que a concentração de conhecimento por uma elite intelectual e financeira, aliada à ânsia de maior lucro, aprofunda o descaso com a popularização do nascimento humanizado. Panorama esse que decorre da saúde sexual e da mulher ser pouco debatida em espaços comuns, como nas escolas ou na mídia, o que torna a discussão sobre parto humanizado restrita à uma população mais crítica, com acesso a informação dos benefícios desse método. Esse processo vai de encontro ao que o jornalista Caco Barcellos afirmou, de que “a culpa não é de quem não sabe é de quem não informa.” Dessa forma, a cristalização do modo de parir mais humano depende da divulgação desse preceito.

Diante do exposto, é importante ressaltar que os desafios para promover o parto humanizado no país, tem como origem a mentalidade capitalista dentro do sistema de saúde. Para solucionar esse quadro, é fundamental que Governo Federal crie um Programa Nacional de Valorização do Parto Humanizado, que em parceria com o Ministério da Saúde disponibilize médicos e outros profissionais da área nos postos de cada bairro, que por meio de atendimentos semanais, forneçam consultas, palestras e preparatório para esse método, a fim de que ela seja difundida. Esse Programa deve ainda, através do Ministério Público, fiscalizar ações antiéticas dos obstetras, para que não coloquem seus interesses econômicos acima dos direitos do paciente.