Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 11/09/2020

Até o século XVI as parteiras ajudavam a criar um clima emocional favorável durante os partos. Mas a partir do século XVII especificamente se tratando da realeza, nas cortes europeias começou a surgir a presença do cirurgião e as parteiras perderam o protagonismo. Devido a isso, o parto normal que deveria obedecer a eventos fisiológicos passou por uma transformação e hoje é encarado como um processo de patogenicidade. Por isso é necessário discutir e resolver esse problema.

Em primeiro lugar, a Organização das Nações Unidas (ONU), registra que nos últimos 20 anos os profissionais da saúde cada vez mais interferem em partos com medidas desnecessárias. E o Brasil está em segundo lugar do mundo em percentual de cesáreas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a organização também recomenda que de todos os partos apenas 15% sejam cesárias, mas a realidade é de 57% no Brasil. Por exemplo, no Ceará os índices da principal maternidade do estado é de 58%, acima da média nacional.

Ademais, o governador do Ceará sancionou uma lei que institui o Estatuto do Parto Humanizado em resposta aos altos índices de cesárias. Isso garante melhor assistência as parturientes, pois as intervenções acontecem somente com argumentos científicos comprovados. A humanização é para ter um ambiente acolhedor e menos intervencionista, como de acordo com Largura (1998), humanizar o parto é respeitar e criar condições para que todas as dimensões do ser humano sejam atendidas.

Portanto, é importante, que o Ministério da Educação e da Saúde incluam no ensino superior uma matéria de humanização para quem deseja trabalhar com obstetrícia, para incentivar práticas humanísticas em todo esse setor, mesmo que durante uma cesária. É preciso que as gravíticas sejam orientadas durante o pré-natal a desenvolver essa autonomia em relação ao parto humanizado. Por isso, é necessário incluir uma reciclagem para os profissionais atuantes oferecidas pelo governo. Só assim o parto deixara de ser um processo patogênico.