Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 11/09/2020

Jean Paul Sartre, filósofo francês, declarou que todo indivíduo está condenado à liberdade, uma referência, sobretudo, à necessidade de que todos tenham um tratamento humanizado, no tocante à igualdade de direitos. No entanto, observa-se, no Brasil, a questão da falta de humanização em alguns partos, a qual impede que o pensamento de Sartre torna-se pleno. Desse modo, ao analisar os desafios de tal situação, visualiza-se, no tecido social, não só um sistema de educação deficitário, como também a falta de efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação social. Todavia, percebe-se uma sociedade que fomenta mazelas sócio-econômicas, mediante, por exemplo, maternidades lotadas e a realização de partos cesários, quando há possibilidade do parto normal. Notadamente, tal cenário atinge, principalmente, as mulheres mais pobres. Dessa maneira, a questão do parto humanizado evidencia um sistema educacional que não dialoga com as ideias freirianas e, consequentemente, preconiza a prevalência da degradação moral de muitos indivíduos.

Outrossim, a partir da interpretação da Constituição Federal, entende-se que é dever do Estado promover um ambiente equilibrado a todos os cidadãos. Entretanto, verifica-se uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas, com o fito de dirimir os emblemas relacionados ao parto humanizado, como já supracitado. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre os dispositivos constitucionais e a narrativa factual precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder Executivo venha, por meio das ideias de Paulo Freire, a realizar uma reforma educacional, objetivando transformação da realidade social. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação faça palestras, demonstrando a relação da permanência da pobreza e a falta de um ensino de qualidade e, por fim, as consequências que, nesse caso, revela-se na falta da humanização do partos. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, mediante médicos, os quais explicitem a necessidade de o Estado  criar políticas públicas eficientes, com o intuito de que haja efetivação das garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os desafios para promover o parto humanizado e, assim, estabelecer-se-á a liberdade, a qual bem pensou Sartre.