Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 11/09/2020
As cesarianas surgiram como um método alternativo, caso os partos normais oferecessem risco à criança. Contudo, essa cirurgia é extremamente invasiva e, mesmo com todos os riscos, muitas brasileiras vêm realizando-a. Isso deve-se, em primeiro lugar, ao medo das futuras mães em não encontrarem leitos hospitalares em situações de emergência, evidenciando a precariedade do sistema de saúde público. E, em segundo lugar, a influência dos médicos em realizarem esse procedimento.
Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, há prevalência dos partos normais (realizados sem intervenção cirúrgica) em relação às cesárias (realizado por meio cirúrgico). Porém, no Brasil, as cesárias é o método em maioria entre os partos que ocorrem no país. Um dos motivos para a grande realização deste tipo de parto é, principalmente em hospitais públicos, a falta de estrutura dos hospitais para realização dos partos humanitários.
Ademais, o filósofo Kant define como autonomia o processo no qual o indivíduo deixa de formar suas opiniões a partir de terceiros. Entretanto, grande parte das grávidas permanece na heteronomia e, por falta de informações sobre o parto humanizado, optam pelo parto cesáreo, feito em um centro cirúrgico frio e impessoal, o que vai de encontro à dinâmica humanista, que é realizada no local escolhido pela gestante e pode ser uma piscina, por exemplo, além de dar um posicionamento ativo à mulher, que é protagonista de seu parto, e não uma paciente.
Destarte, é necessário que o Estado puna hospitais que realizam procedimentos cesáreos desnecessários apenas para lucrar mais, através de órgãos como o Conselho Federal de Medicina (FRM), que deve fiscalizar e multar instituições que desrespeitem as diretrizes adotadas, a fim de garantir o aumento da quantidade de partos naturais e humanizados. Cabe ainda a essa instituição de poder investir em propagandas, mostrando à população gestante as inúmeras vantagens de procedimentos humanizados.