Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 28/09/2020
Desde a Antiguidade, iniciada por volta dos anos 3000 antes de Cristo, a medicina apresenta grandes avanços, como por exemplo, com os egípcios que deixaram de legado o “Livro dos Mortos”, representando um conhecimento avançado na época sobre a anatomia humana. O avanço da medicina possibilitou várias conquistas, como a descoberta da vacina contra a poliomelite em 1953, vírus que causa a paralisia infantil, porém trouxe algumas problemáticas evidentes na realidade atual, como a substituição do parto humanizado ao ter a cesárea como inovação médica.
Mormente, é importante destacar que a cesárea é necessária e um grande avanço médico, ao passo que diminui muitas mortes em gravidez de risco, o que é comum em mães com pressão alta. Em contrapartida, com o pensamento globalizado e industrial de facilitar e agilizar a vida cotidiana, o procedimento normalizou-se visto como mais “seguro” que o parto humanizado, com o discurso de amenizar a dor e sofrimento da mãe na hora do parto. De acordo com o Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Complementar, as cesarianas atingiram a marca de 53,7% e o parto normal atingiu 46% em 2011, contrariando as recomendações dadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que aponta que 15% é o índice de cesarianas consideradas aceitáveis.
Acresce também que a falta de informação acessível às mulheres é um dos principais motivos da escolha por cesáreas, pois não se preparam para o parto normal por constatarem o procedimento, que tem horário e data marcados, mais adequado. Como mesmo aponta a OMS, a cesariana, quando não tem indicação médica, pode acarretar em graves riscos à mãe e ao bebê, como o parto prematuro que aumenta a probabilidade de problemas respiratórios para a criança e triplica o risco de morte da mãe. Além disso, a psicóloga Eleonora de Moraes aponta que o parto humanizado pode proporcionar um momento inigualável à mãe e ao filho, pois permite uma experiência integral e marcante na vida de ambos.
Portanto, indubitavelmente, faz-se necessário a intervenção do Ministério da Saúde trazendo palestras ministradas por profissionais da área e campanhas nas cidades, para alertar a população dos riscos de cesarianas quando não houver a recomendação médica e evidenciar que o parto normal é o mais saudável nesses casos, afim de que as mulheres sejam encorajadas ao parto humanizado. Também é importante apresentar mais dados em entrevistas divulgadas em jornais e na internet sobre a importância de fazer uma boa escolha na hora de dar a luz, para que as mães tenham mais acesso às informações. Assim, diminuiremos os riscos de mortes e problemas respiratórios aos bebês, promovendo maior saúde e cuidado na hora do parto.