Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 12/09/2020

Promulgada  pela Constituição de 1988, a Declaração Cidadã garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao cuidado hospitalar. Conquanto a ausência do parto humanizado na sociedade brasileira, devido a falta de políticas públicas informando a mulher sobre à parição confortável e a ausência de profissionais engajados com o bem-estar do paciente, impossibilitam a garantia desse direito na prática.

Primordialmente, é imperioso salientar a importância do diálogo com as gestantes sobre as intervenções adequadas para o nascimento da criança. Segundo o sociólogo Jurgen Habermas, a ação comunicativa  estimula a consciência da população e proporciona uma sociedade justa. Sob essa óptica, é fundamental o conhecimento das gestantes sobre o seu suporte legal contra negligências obstétricas. Nesse sentido, urge que as grávidas sejam instruídas  sobre as condutas médicas necessárias ao parto.

Outrossim , a fragilidade da relação de empatia entre médico e paciente corrobora no descaso. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman , as relações interpessoais na pós-modernidade são caracterizadas pela instabilidade. No entanto , é inadmissível a conduta hospitalar privada de preocupação com o  conforto das gestantes. Inquestionavelmente , é preciso participar da grade curricular dos futuros profissionais da saúde  a alteridade com os pacientes. Em síntese, é fundamental as práticas de cuidado empático além do eficiente amparo clínico.

Infere-se , portanto, que há entraves para a garantia do parto humanizado no Brasil. Por consequência , cabe ao Ministério da Saúde a divulgação de cartilhas sobre os direitos das gestantes na hora do parto, por meio de verbas municipais. Tais cartilhas necessitam conter as informações sobre as condutas médicas adequadas para a parição segura e devem ser entregues durante os pré-natais,  com a finalidade de inibir a desumanização obstétrica. Além disso, cabe também ao Ministério da Saúde a criação de campanhas internas para os profissionais da saúde sobre importância da alteridade clínica.