Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 12/09/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil é o país líder em parto cesariano, método este que é indicado, em tese, apenas para casos em que há risco de morte para a gestante ou o feto. Logo que, a escolha deste parto é feita, a mulher em questão torna-se propensa a desenvolver uma série de complicações durante e após o parto, incluindo a violência obstétrica. Além disso, sabe-se que a decisão de fazer a cesárea beneficia, acima de todos, o médico responsável.

Atualmente, enfrenta-se um obstáculo para efetivar o parto humanizado já que as instituições privadas e públicas pagam mais, aos médicos e hospitais, pelos partos cirúrgicos que os partos naturais, tornando a cirurgia mais atrativa para o profissional obstétrico, que além disto, pode escolher a hora e a data que irá realizar a cesárea, podendo fazer mais de um procedimento por dia, sendo assim, economicamente mais viável.

Ainda que o parto natural requeira uma determinada atenção e preparo, ele possuí muito menos consequências negativas para a mãe e o bebê, já a cesárea possibilita a perda excessiva de sangue, complicações devido a anestesia, e procedimentos invasivos ao corpo da mulher, como a episiotomia; um corte na área vaginal que tem o intuito de facilitar a saída da criança, muitas vezes feito para acelerar o processo, e dificultando a reinserção da mulher à sua vida antiga. Além da retirada do feto antes da hora naturalmente certa, trazendo problemas ligados à prematuridade.

Sendo assim, a quantidade exacerbada de procedimentos cesarianos no Brasil é um problema de saúde pública, uma vez que põem em risco o bem estar da mulher e sua prole. Por isso,  o Ministério da Saúde pode adotar como medida de intervenção o incentivo fiscal para hospitais que diminuam suas taxas de cesarianas, pode-se também adotar consultas psicológicas para ajudar gestantes a lidar com a natureza do parto e investir em campanhas que tragam informações e segurança para mulheres terem partos mais humanos, em busca da melhoria do bem estar delas e de suas crianças.