Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 21/09/2020
“Grey’s Anatomy” é um seriado estadunidense de drama, no qual, em determinado episódio, um médico residente de um grande hospital realiza cesarianas de maneira indevida, um cenário que, fora da ficção, manifesta-se como uma situação comum na sociedade brasileira. Essa triste realidade, mesmo com a correta adequação médica, arrisca a integridade financeira do sistema de saúde e, concomitantemente, do bem-estar físico e metal da gestante e do feto. Nessa perspectiva, fica notificado um grande entrave para o desenvolvimento, o que torna cabível a análise sobre os desafios da realização dos partos, a fim de promovê-los de forma humanizada no Brasil.
Em primeiro plano, vale salientar que fatores históricos e sociais contribuíram para a existência do problema mencionado, a saber, a Globalização, fenômeno fortemente estudado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos e que influencia o uso da tecnologia pela população. Nesse contexto, o parto cesariano surge como uma alternativa vista como mais segura por várias mulheres, o que leva o Brasil, segundo dados da OMS-Organização Mundial da Saúde, a ter um número percentual de 55% de nascimentos por cesariana, segunda maior taxa do mundo. Entretanto, além de inverter a ordem natural, essa opção balança o setor monetário do sistema de saúde, o qual chega a pagar cerca de cem reais a mais para a realização desses procedimentos, um gasto absurdo que, muitas vezes, é motivado pela falta de assistência para corrigir o medo das grávidas com relação à dor do parto normal; uma lástima.
Outrossim, essa substituição da paridela biológica por procedimentos médicos modernos, gera uma lista de riscos fisiológicos e, ademais, psicológicos, para a mãe e para o bebê, tais como hemorragias, dificuldades respiratórias, morte e depressão pós-parto. Florence Nightingale, reformadora social e fundadora da enfermagem moderna, defende o ato de jamais fazer mal ao doente como o primeiro requisito para um bom hospital. O pensamento de Florence não tem sido aplicado, em sua totalidade, na sociedade brasileira, haja vista os problemas anteriormente comentados, os quais, indubitavelmente, são fatores que, enquanto atrasadores da garantia do saúde, contribuem para o não desenvolvimento.
Dessarte, é imprescindível que medidas são necessárias para a minimização dos problemas pautados, os quais atrasam a evolução social. É válido que o governo promova, por meio do Ministério da Saúde, ações como a distribuição de panfletos e consultas terapêuticas, que estimulem as gestantes a questionarem seus médicos sobre os riscos de um parto cesariano e que levem-nas a considerar o parto normal humanizado para o nascimento de seus filhos, com o auxílio de ginecologistas, obstetras e psicólogos capacitados. Quiçá, tais medidas instigarão a inversão dos problemas pautados, garantindo, de tal modo, a melhora na economia, na saúde e, paralelamente, do desenvolvimento.