Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 22/09/2020
“A ignorância é a pior das enfermidades do gênero humano”. Essa frase do filósofo Cícero torna-se muito pertinente quando se trata dos desafios para promover o parto humanizado no Brasil, uma vez que, não só a ineficiência política, mas também a falta de debate se apresentam como agentes perpetuadores desse problema no Brasil. Por isso, indubitavelmente, medidas são necessárias para reverter este quadro.
Em primeira análise, é fundamental destacar que, para o filósofo Aristóteles, a política tem como função promover meios para que pessoas de uma sociedade possam ter qualidade de vida. Além disso, a Constituição Federal garante, no primeiro artigo, que a dignidade humana é um direito de todo e qualquer brasileiro. Entretanto, o predomínio de cirurgias cesarianas sem necessidade revela a negligência do Governo em relação a este tema, uma vez que intervenções cirúrgicas dessa natureza são altamente prejudiciais para a saúde da mulher e da criança, pois, segundo dados da revista “Superinteressante”, o nascimento cesariano inibe a obtenção de nutrientes importantes para o desenvolvimento do bebê e a recuperação de um parto cesariano varia entre 4 a 8 meses. Dessa forma, é indispensável que haja meios políticos, para promover o parto humanizado.
Ademais, é importante ressaltar que parto humanizado difere de parto natural, uma vez que o primeiro prioriza a dignidade e o respeito à mulher. Em adição, de acordo com uma pesquisa realizada pela BBC, 75% das mulheres entrevistadas responderam não saber ou saber parcialmente o que é o parto humanizado, e isso, certamente, revela a falta de debate a cerca desse assunto. Além disso, segundo dados da OMS 60% das mulheres que realizaram partos naturais relatam ter sofrido algum tipo de agressão verbal ou psicológica, como insultos e pressão desnecessária, Dessa maneira, é importante promover a discussão sobre este tema.
Portanto, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro crie meios políticos para promover o parto humanizado, por meio de investimentos em programas de treinamentos para capacitar os profissionais, bem como por meio da criação de uma lei que exija a comprovação da necessidade de se realizar a cirurgia cesariana, para que a política possa cumprir o seu papel social e as mulheres possam ter o seu direito à dignidade assegurado. De maneira análoga, urge que a Escola, em parceria com os veículos de comunicação, promova o debate a cerca do parto humanizado, por intermédio de rodas de conversa em âmbito público e palestras com profissionais da saúde, bem como com a distribuição de cartilhas informativas e campanhas na internet, para que a ignorância, descrita por Cícero, não seja uma enfermidade do povo brasileiro.