Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 15/09/2020
Desde a Revolução Técnico-Científico-Informacional, percebe-se que globalmente há uma melhoria significativa no aperfeiçoamento da ciência, principalmente, na área da saúde. Dessa forma, observa-se que esse avanço científico também está presente no Brasil, já que apresenta um significativo índice de partos humanizados no espectro social. No entanto, ainda há uma elitização do acesso a esse recurso quando se trata,frequentemente, de cesarianas.
A princípio,verifica-se que, em consoante com o antropólogo Edward Tylor, a cultura é pragmática, ou seja, está inserida na realidade do povo. Diante dessa afirmação, entende-se que ela está fortemente relacionada aos tipos de partos que ocorrem no país, uma vez que as mulheres, de geração em geração,passam as suas experiências para as suas descendentes influenciando-as na escolha desse mecanismo. Em meio a essa análise, compreende-se que essa herança cultural está ligada principalmente com o avanço medicinal que permite, para a maior parte das gestantes, uma escolha segura para o nascimento de seus filhos. Dentro desse contexto, é possível perceber a maior optação delas pelo parto humanizado -com base no site ‘‘Scielo’’-, tendo em vista que esse oferece maior previsibilidade e segurança durante esse procedimento. Logo,nota-se que a humanização do parto, em maior parte dos casos, ocorre devido à uma escolha livre que deve ser possível a todas elas.
Em contrapartida, denota-se que, em conjunto com o filósofo Henry Lefbvre, o meio urbano é a manifestação de conflitos, o que pode se relacionar com a segregação no acesso ao parto cesariano. Justifica-se essa afirmação, por meio do aumento da procura por planos particulares que cubram todo o parto, como também tenham auxílio médico durante todo o processo gestacional, conforme os dados divulgados pela ‘‘Veja.abril’’. Isso acontece,pois os recursos públicos não estão sendo suficientes para que as gestantes possam confiar e realizar o parto. Por consequência desse quadro,observa-se que apenas as mulheres com maior poder aquisitivo podem realizar essa escolha, tendo em vista que esse procedimento privado exige uma renda monetária significativa. De fato,tal segregação nesse âmbito da saúde vai de encontro aos princípios de equidade no acesso à saúde no Brasil.
Pode-se,inferir,portanto,que enquanto o parto humanizado de qualidade não estiver presente em ambas as esferas sociais (públicas e privadas) tal minoria continuará à margem desse acesso. Desse modo,cabe ao Ministério da Saúde- órgão responsável pelo acesso universal de todos os cidadãos à saúde -por meio de profissionais qualificados na área- como os diretores dos hospitais públicos- promover um investimento no parto humanizado com qualidade,a fim de que as mulheres que não tenham condições físicas/financeiras possam realizar esse procedimento de maneira segura.