Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 18/09/2020
A obra “Desespero” do pintor francês Gustave Coubert retrata um jovem com um semblante angustiado e aflito, como se pedisse socorro. De forma similar, esse é o sentimento de diversas gestantes, submetidas a partos deveras traumáticos, visto que o Brasil enfrenta uma série de desafios para que ocorram nascimentos humanizados, seja pelo espírito capitalista dos médicos, seja pela falta de informação das grávidas. Logo, esse cenário caótico é um obstáculo para o bem-estar de mãe e filho.
Primeiramente, segundo o filósofo Jeremy Bentham, “O bem é aquele que atinge o maior número de pessoas”. Entretanto, nessa determinada situação, isso pode não ocorrer, já que alguns médicos se preocupam mais com a quantidade de partos realizados e, consequentemente, com o lucro derivado deles, e realizam cirurgias cesáreas mesmo quando não são necessárias. Visto que, esse procedimento é mais rápido e prático, além de mais lucrativo, apesar de trazer inúmeros riscos para a mãe e para o bebê, como hemorragias internas ou infecções, uma vez que, uma cesárea é uma cirugia e não um processo natural. Por conseguinte, o comportamento capitalista de muitos obstetras prejudica a promoção do parto humanizado, que, é mais benéfico.
Segundamente, de acordo com o filósofo Immanuel Kant a autonomia é o processo cujo indivíduo deixa de formar sua opinião através de terceiros. Todavia, grande parte das grávidas permanece na heteronomia e, por falta de informações sobre o parto humanizado, optam pelo cesáreo, realizado em um centro cirúrgico frio e impessoal, o que vai de encontro à dinâmica humanista, que prega que a gestante pode escolher o lugar em que decide dar à luz. Assim, é possível ver um posicionamento ativo dado à mulher, que é a protagonista de seu parto e, não, apenas, uma paciente. Desse modo, a disseminação de nascimentos cesarianos é prejudicial e tira das mães um momento único que, além de saudável e seguro, promove um vínculo mais forte entre mãe e filho.
Destarte, é necessário que o Estado crie campanhas humanizando os partos. Assim, através de órgãos como o Conselho Federal de Medicina (FGM), é necessário que o governo fiscalize aqueles hospitais e médicos que realizam procedimentos cesáreos desnecessários e coagem as mulheres a concordar com eles, classificando-os como abuso e punindo suas ocorrências. Por fim, a respeito da desinformação, é necessário trazer a mídia como aliada, visto que, ela é uma importante via de informações e pode criar propagandas informando a diferença entre os partos e o benefício dos partos humanizados, a fim de evitar o sentimento representado por Coubert em sua pintura.
Conforme solicitado, meu nome é Isabelle de Araujo Mendonça e estou no 1º ano.