Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 08/10/2020

O documentário “O renascimento do parto humanizado” inicia um debate acerca dos problemas do excesso de cesáreas no país, como o desconhecimento das mulheres de possibilidades de escolha e a violência obstétrica. Sob essa ótica, é necessária a análise dessa conjuntura para mitigar os desafios para promover o parto humanizado no Brasil, visto que o índice de cesáreas no país excede o limite da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A princípio, cesariana deveria ser opção em casos indicados, quando há perigo de sofrimento neonatal por exemplo. Porém, há mulheres que, por medo da dor e desconhecimento do parto humanizado, optam pela intervenção cirúrgica. Além  disso, há uma generalização do conceito humanizado. Ele pode ser feito  tanto em casa, como em hospital, com a presença da companhia que a gestante optar e a intervenção de um médico caso haja complicações, pois sua criação foi objetivada para dar o protagonismo da gestante e tornar o procedimento mais natural e confortável.

Ademais, o parto humanizado pode auxiliar na diminuição de casos de violência obstétrica. Um  levantamento feito pela pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, aponta que uma em cada quatro mulheres já foi vítima de violência obstétrica. Esse tipo de violência tem como exemplo impor a intervenção cesariana, omitir informações, não dar alívio para a dor da gestante dentre outras práticas. Tal situação causa dores psicológicas e físicas para a mulher, as quais poderiam ser evitadas com mudanças no sistema de saúde obstetrício.

Sendo assim, são necessárias mudanças nesse cenário. O governo deve, por meio de investimentos ao setor da saúde, promover planos de partos para as gestantes, e que os mesmos englobem o parto humanizado no sistema, pois dessa forma a mulher terá maior possibilidade de escolha na gravidez. Também pode ter palestras para os médicos e enfermeiros obstetras, para que eles possam se atualizar em relação a essa modalidade de parto. Quanto ao poder legislativo, que efetive a lei relacionada a violência obstétrica para diminuir os casos e amparar as gestantes. A mídia também tem papel fundamental, ao difundir, por meio de propagandas, o número de um centro para que possa denunciar o crime obstetrício, além disso, também pode, por meio de comerciais, evidenciar o conceito de parto humanizado para que as pessoas possam conhecer melhor e evitar sua generalização. Feito isso, o país poderá diminuir as incidências de cesáreas e promover o protagonismo feminino na decisão consciente frente o momento do parto.