Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 15/09/2020

O ato de parir é um processo comum na vida das mulheres, entretanto, atualmente, a problemática de um parto cada vez mais desumanizado pode tornar esse momento tão sonhado em um pesadelo. Para analisar o tema, pode-se observar dois principais fatores: a atual cultura machista da violência obstétrica e a negligência do atual sistema de saúde.

Em primeiro lugar, a violência obstétrica, tão comum nos hospitais brasileiros, está diretamente relacionada a cultura machista. Nesse sentido, pode-se citar o recorrente procedimento de episiotomia, também conhecido como “o ponto do marido”, o qual fecha a vagina mais que o necessário com o único objetivo de proporcionar mais prazer ao homem nas futuras relações sexuais, mesmo que isso também traga mais dores as mulheres. Dessa forma, fica nítido como a sociedade patriarcal manipula de maneira negativa até mesmo o ato de parir e isso retira a dignidade desse momento tão único.

Outrossim, o atual sistema de saúde também é um influenciador a partos desumanizados. Nesse contexto, o alto índice de cesárias realizadas no Brasil, três vezes maior que o máximo recomendado pela OMS, significa o seu uso de maneira cotidiana ao invés de emergencial, consequentemente, expõe um número gigantesco de mulheres ao risco de uma cirurgia desnecessária. Logo, a desumanização dos partos, além de indignificar, pode arrancar da vítima sua própria vida.

Dessarte, medidas são necessárias, por isso, o Ministério da Saúde, por meio do acompanhamento pré-natal, deve intensificar o acompanhamento e informações apresentadas às gestantes, cabe a ele então, garantir que na cartilha do programa possua os dados dos riscos trazidos pela cesária e a orientação ao parto normal, Ademas, deve também informar e orientar a denúncia da violência obstétrica ,a qual precisa ser tida inaceitável. Com efeito, as gestantes terão mais autonomia para identificarem possíveis violações e exigir um parto mais humanizado.