Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 15/09/2020

Atualmente, existem diversos desafios para que a gestante tenha um parto humanizado no Brasil, já que, muita vezes, nem sequer pode escolher como seu filho irá nascer. De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Dessa forma, cabe ao governo através de seus prestadores de saúde proporcionar um atendimento de qualidade para as parturientes, de modo que seja possível conceber seus filhos de maneira segura e tranquila. Na contramão da legislação, o problema relacionado ao parto permanece, tendo como causas: a lenta mudança na mentalidade da sociedade e a falta de denúncias.

Em primeiro lugar, a lenta mudança na mentalidade da sociedade contribui para a persistência do problema. A população em geral tem a concepção de que o médico é quem escolhe como o filho de outra pessoa irá nascer, sem levar em consideração as particularidades da vida daquela mulher e seu direito de optar, seja parto normal ou cesárea. Além disso, é garantido por lei a presença de acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, nascimento e pós parto imediato, sendo essa pessoa escolhida pela mulher. Nesse contexto, a Política Nacional de Humanização (PNH) vem respaldar a escolha dessa mãe, ao ter como premissa o direito de estar com alguém por perto, mas que nem sempre é cumprido nos hospitais do país.

Em segundo plano, a falta de denúncia sobre os episódios de violência obstétrica que ocorrem nas maternidades, só aumentam mais os episódios. Muitas mulheres não são consultadas sobre procedimentos a serem realizados no trabalho de parto, nem são orientadas sobre aquilo a que estão sendo submetidas, como por exemplo uso de fórceps e procedimentos sem analgesia. Em virtude disso, podem ocorrem muitas iatrogenias e causar problemas emocionais nessa mulher, o que pode ser enquadrado no pensamento do filósofo Confúcio, que diz que não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer mais erros. Relacionado à falta de humanização no parto, deixar de manifestar publicamente aquilo que ocorre de maneira desagradável, vem a perpetuar o problema.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver a questão. Para tal, as  Estratégias de Saúde da Família, devem realizar grupos operativos para gestantes e seus parceiros, instituindo a ideia do Plano de Parto - que é um documento feito pela gestante com as suas escolhas para o dia do nascimento de seu filho, a fim de conscientizar os pais dos seus direitos enquanto cidadãos. Esse trabalho poderá ser feito por enfermeiros e médicos das unidades de saúde, de modo esclarecedor acerca do processo de nascimento, incluindo os direitos do nascer, para que a assistência humanizada seja realizada de acordo com as premissas da Política de Humanização do país.