Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 16/09/2020

É indiscutível que, com o passar dos anos, a sociedade hospitalizou o ato do nascimento com a intenção de diminuir o sofrimento físico da mãe e da criança. Porém, durante esse processo, as necessidades humanas da família em questão são esquecidas, e essa, por conta da falta de informação e de suporte emocional, aceita um  tratamento mecânico que pode ser prejudicial ao seu bebê. Além de não ter o direito de presenciar de forma humanizada uma das experiencias mais importantes de sua vida.

Primeiramente, por mais que a cesariana seja conhecida por ser um método menos doloroso e mais seguro, isso não passa de um mito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cesárea é indicada apenas em casos emergenciais, pois a prematuridade no ato de marcar a data para o nascimento aumenta a probabilidade de risco de vida da mãe e do bebê. Ademais, muitas vezes, por impaciência da equipe médica, a família é instruída ao uso de medicações para um parto induzido, e por não ter um planejamento de parto, acabam aceitando mesmo sem necessidade.

Outrossim, na mesma pesquisa concluiu-se que 70% das gravidas brasileiras tem a intenção de seguir com um parto humanizado, mas que durante a gravidez optam pela cirurgia cesariana. Isso ocorre porque a informação passada é limitada, e focada apenas no procedimento. As equipes hospitalares não tem o foco no bem estar da mulher e no trabalho emocional para o parto. Normalmente, esse papel é executado pelas Doulas, que trabalham no encorajamento e passando as informações para a mulher. Entretanto, muitas vezes o conhecimento do direito do acompanhamento por uma doula não chega à família.

Em virtude dos fatos apesentados, entende-se que o que desvia as mães da escolha de um parto humanizado é a falta de acompanhamento e de informações corretas. Portanto, o Ministério da Saúde deve informar, dentro do Serviço Único de Saúde, a mãe sobre a possibilidade de acompanhamento de uma doula, que poderá ajudá-la no planejamento de parto, para que a mulher não tenha dificuldades de escolhas durante o trabalho de parto e não sofra algum tipo de violência obstétrica por medo ou por não ter conhecimento para reagir.