Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 16/09/2020

Durante o século XIV, os partos medievos proporcionavam à mulher uma dolorosa experiência, capazes de oferecer diversos riscos tanto para a mãe como para a nova vida que estava por vir. Após quase 600 anos, conforme a Constituição de 1988, toda gestante tem direito a receber assistência médica humanizada durante o parto, no qual todas as cautelas devem ser tomadas para o bem estar da mulher grávida e do recém-nascido. Entretanto, o parto humanizado ainda enfrenta entraves em sua prática, tais como a desinformação por parte da sociedade gestante e o predomínio por interesses econômicos .

A priori, seria negligente não notar que a falta de conhecimento da mulher sobre o parto é uma das causas dessa problemática. Muitas gestantes, ao pesquisarem na internet por “parto humanizado”, são influenciadas por relatos de outras mulheres que deram à luz em casa, ou numa casa de parto, dentro de uma banheira ou até mesmo no chão - e sem anestesia. Assim, elas ficam com medo de dores e sofrimento, e ainda podem pensar que, com tanta tecnologia, parir desta forma é algo antiquado. Dessa forma, as estatísticas do Ministério da Saúde acerca do número de cesarianas crescem, no qual esse procedimento representa 55% dos partos realizados no Brasil. Mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendando que o índice não ultrapasse 15%,  o país continua recordista desse tipo de parto no mundo.

Em segundo lugar, muitos obstetras se aproveitam dessa vulnerabilidade de informação que as gestantes se encontram, e “empurram-as” para a realização das cesárias desnecessárias. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde, por exemplo, o médico recebe cerca de 120 reais a mais por uma cesárea do que por um parto normal. Em consequência disso, as gestantes são envolvidas em procedimentos invasivos e menos seguros, no qual a integridade moral e física da mulher é exposta em um momento tão delicado. Nesse panorama, a OMS afirma que os números do parto humanizado que, comparados às cesárias desnecessárias, têm 20 vezes menos mortes de bebês.

Portanto, é necessário que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Saúde, em sinergia com o Ministério da Educação, dissemine informações confiáveis acerca do parto humanizado, por meio de palestras e campanhas. Estas podem detalhar os malefícios que a cesária desnecessária traz à mulher, ressaltando os índices de mortalidade, a fim de promover conhecimento e conscientização às gestantes. Dessa maneira, espera-se que mais mulheres possam passar pela experiência de dar à luz naturalmente, no qual uma assistência plena e digna sejam garantidas de fato, como descreve a Constituição.