Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 16/09/2020
Dentre os inúmeros direitos garantidos pela Declaração dos Direitos Humanos promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), destaca-se a saúde como imprescindível ao bem-estar de toda nação. No entanto, o Brasil mostra-se muitas vezes como incapaz de atingir tal meta, uma vez que a cirurgia de cesárea é mais utilizada que o parto natural, mesmo tendo consigo inúmeros riscos para a mãe e seu bebê. Nesse sentido, torna-se necessário analisar tanto a omissão governamental frente ao problema, bem como a falta de instrução dada as grávidas, pelo fato de serem estes, agentes fundamentais da perpetuação dessa mazela.
Em primeira análise, destaca-se a falta de instrução dada as gestantes acerca dos riscos da cesárea. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cirurgia cesariana envolve mais riscos para a mãe e o bebê, triplicando a chance de morte da mãe e aumentando em até 120 vezes a probabilidade da criança desenvolver problemas respiratórios. É notável, portanto, como a prática da cesariana deve ser utilizada como um subterfúgio para quadros específicos de algumas gestantes e não como regra. No entanto, a OMS já demonstrou que o Brasil segue na mão contrária a esse caminho, tendo menos da metade dos partos realizados por vias naturais e colocando cada vez mais vidas em risco, portanto.
Faz-se mister, ainda, salientar a baixa atuação de setores governamentais como impulsionador do problema. Segundo o pastor protestante Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”. Analogamente, ao deixar de direcionar leis que estabeleçam parâmetros de segurança mais rígidos em seus hospitais, o governo brasileiro abre margem para que a preferência médica seja de realizar a cirurgia cesariana, uma vez que é mais rápida de ser feita e dessa maneira gera um maior ganho para o médico que a realize, independente se isso coloca ou não a vida da mãe e do bebê em risco.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que essa problemática seja solucionada. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde incentivar seus profissionais, através de palestras elucidativas que demonstrem todos os riscos e malefícios que a cirurgia cesariana traz a mãe e ao bebê, incentivando-os, dessa maneira, a utilizarem como primeira medida o parto natural, e em apenas em segundo caso uma intervenção cirúrgica. Outrossim, cabe ao poder Legislativo, elaborar leis que estabeleçam a obrigatoriedade de hospitais a aderirem a taxa mínima de cesarianas estabelecida pela OMS, e puna quem não as seguirem adequadamente. Desse modo, espera-se obter uma melhora no bem-estar não só de todas as mães e seus bebês, como de toda a sociedade.