Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 19/09/2020

O médico húngaro Ignaz Semmelweis evitou a morte de muitas mulheres em trabalho de parto porque descobriu a importância de higienizar as mãos e os instrumentos cirúrgicos. Apesar dessa e de outras grandes evoluções científicas, o Brasil ainda possui muitos obstáculos para promover e difundir o parto humanizado, ou seja, aquele que respeita as necessidades da mulher e do nascituro. Dentre esses obstáculos, destacam-se a desinformação sobre o assunto e os abusos cometidos por profissionais de saúde. Dessa forma, é necessário analisar o problema e buscar soluções para minimizá-lo.

Em primeiro lugar, a falta de conhecimento sobre o processo de parir é um obstáculo a ser derrubado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil está mais de três vezes acima da porcentagem recomendada para cesarianas, cuja indicação é restrita a casos de gestações problemáticas. Nesse contexto, as mulheres desconhecem esse processo fisiológico e são submetidas a situações desnecessárias e prejudiciais para o bem-estar dos envolvidos. Esse cenário exemplifica de forma nítida o conceito “ídolo da tribo”, do filósofo Francis Bacon, que designa preconceitos e opiniões equivocadas que percorrem a sociedade e prejudicam o desenvolvimento dela.

Além disso, a violência obstétrica e os abusos cometidos por profissionais da área da saúde impedem a humanização integral do parto. De acordo com o documentário “O Renascimento do Parto”, é uma prática frequente, por exemplo, a episiotomia - corte vaginal doloroso não recomendado pela OMS que traz complicações no período pós-operatório. Ademais, conforme relatado nessa produção audiovisual, muitos médicos fornecem justificativas falsas para intervir no processo natural de conceber, como “circular de cordão” ou porte físico inadequado da parturiente. Dessa maneira, torna-se necessário coibir as práticas que desumanizam essa importante etapa na vida das mães e dos filhos.

Portanto, é fundamental que soluções sejam tomadas para mitigar essa problemática. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve difundir, por meio de palestras e cursos em Unidades Básicas de Atendimento, informações sobre o parto para as gestantes, a fim de que elas estejam seguras e prontas para passarem pela tríade gestação, parto e puerpério. Também é fundamental que o Ministério da Educação proponha às Instituições de Ensino Superior a disciplina de Parto Humanizado, de modo a orientar os profissionais da área médica sobre as práticas corretas e equivocadas durante o partejo. Logo, a promoção do parto humanizado será facilitada e os benefícios serão sentidos por toda a sociedade, assim como aqueles propostos por Semmelweis foram.