Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 19/09/2020
Historicamente, o nascimento de uma criança sempre foi um momento de extrema tensão, visto que as parteiras não dispunham de muitas opções para tais procedimentos complexos. Contudo, com o avanço dos procedimentos médicos, o parto através da cesariana tornou-se algo mecânico, que muitas vezes não leva em consideração o bem-estar do bebê e da gestante. Diante disso, fica clara a necessidade de medidas de saúde pública que visem humanizar o parto, combatendo de forma sistêmica a violência obstétrica no Brasil.
A priori, o maior número de cesarianas é reflexo dos altos lucros que esses procedimentos trazem aos hospitais e médicos. Segundo uma reportagem publicada no portal de notícias G1, no ano de 2019 houve um aumento de 73% no número de cesarianas, comparado com o ano anterior. Além disso, os dados revelam que esse procedimento, em sua grande maioria, não é coberto pelo SUS, e o valor médio varia em torno de seis mil reais. Tais fatos denotam a necessidade de ações no combate a essa comercialização de procedimentos obstétricos que só visam o lucro.
Outrossim, a grande maioria das gestantes tem medo de fazer partos humanizados, por não conhecer realmente o procedimento ou por serem vitimas de notícias especulativas que não revelam os reais benefícios que tais procedimentos trazem a mãe e ao bebê. Isso comprova-se com os baixos índices desses procedimentos no Brasil, não chegando a 5% do total de partos, segundo dados da OMS. Isso demonstra que é preciso políticas de saúde pública que estimulem a prática de tais procedimentos.
Portanto, fica clara a necessidade de ações que incentivem o parto humanizado no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve desenvolver auditorias que investiguem a prática da comercialização de cesarianas, quando há a possibilidade de parto normal ou quando até mesmo os médicos induzem a paciente a optar por esse procedimento, aplicando punições à esses desvios e combatendo sistematicamente esse problema. Somado a isso, a ONGs devem desenvolver campanhas, através das mídias sociais, com o intuito de informar os benefícios do parto humanizado e com isso, incentivar essa prática. Somente assim será possível combater a violência obstétrica e da desumanização do parto no Brasil.