Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 22/09/2020

O nascimento de uma criança sempre foi algo muito idealizado pela sociedade, em tempos de outrora ter muitos filhos significava sinal de saúde e fertilidade. Contudo, trazendo esse contexto para os tempos hodiernos, vê-se o contraste nos desafios encontrados na promoção do parto humanizado no Brasil, pois o que era para ser um momento único torna-se traumático para inúmeras mães. Tal conjuntura se embasa na violência obstétrica, associada a um meio social machista e hospitais despreparados.

Primordialmente, é importante ressaltar o pensamento do psicólogo Donald Winnicott de que os papéis são socialmente construídos. Por esse viés, o sexo feminino tem construído seu papel sempre embasado em lutas, já que socialmente o machismo ainda prevalece, seja em empresas, ou até mesmo na sala do parto. Nesse sentido, vê-se o desrespeito em relatos feitos em veículos de informação como o Huffpost, dado que, muitas vezes, a mulher não dá a luz da forma que almeja, é submetida a procedimentos que não autoriza, fazendo com que o direito feminino seja violado.

Em segundo lugar, é notório o despreparo na estrutura dos hospitais e na equipe médica que impossibilitam o parto humanizado. Assim, há falta de estrutura e protocolos atualizados, segundo o Huffpost, o que leva a existência de práticas duvidosas como a episiotomia, que se trata de um corte na região do períneo. De fato, essa incisão é demasiadamente praticada por médicos, contudo não há comprovações de que seja necessária na maioria dos casos em que é praticada, já que é indicada para partos que venham a ter complicações específicas, conforme dito pela cientista e ativista Ligia Sena.

Em síntese, a problemática instaurada é alarmante, mostrando que os desafios na promoção do parto humanizado partem de questões sociais e estruturais. Portanto, para a mudança desse cenário é preciso que o governo, em todas as suas instâncias, se una aos ministérios competentes como o Ministério da Saúde para que haja a destinação de recursos para o melhor preparo de hospitais e profissionais da saúde. De forma que, haja o aperfeiçoamento com cursos periódicos destinados aos médicos, realizados por indivíduos capacitados, para o desenvolvimento de uma olhar humanizado sobre o parto. Atrelado a isso, a realização de operações de investigações de delitos pelo Ministério Público, de modo que os culpados sejam punidos. Só assim o ideal do parto será uma realidade.