Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 19/09/2020

Segundo a lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é  permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne ao problema da ausência de parto humanizado no Brasil, que segue sem intervenção que o resolva. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que tem como causas: a falta de empatia médica e o desconhecimento sobre o assunto.

Em primeira análise, é preciso atentar para a falta de sintonia médica presente durante o processo de concepção. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à questão do parto humanizado. Nesse cenário, os médicos responsáveis pelos partos são, muitas vezes, grosseiros e não passam as informações necessárias para as mulheres, o que ocasiona uma generalização do medo. Assim, a liquidez que influi sobre esse contexto funciona como um forte empecilho para a sua resolução.

Em segundo plano, a falta de conhecimento é um desafio para a promoção de partos humanizados no Brasil. Nessa perspectiva, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso a informação sobre como o parto humanizado é mais seguro em relação a cesariana, sua visão será limitada. Prova disso é que, apesar do parto natural ter o triplo de segurança para a mãe, a maioria das mulheres optam pela cesariana. Dessa forma, a omissão de debate dificulta a resolução do problema.

Torna-se evidente, portanto, que a escassez de partos humanizados é um problema que necessita de intervenção. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, criar campanhas que incentivem o debate em torno dos tipos de parto, o que pode ser feito nas escolas, em palestras com especialistas no assunto. Além dos especialistas, seria interessante trazer mulheres que tiveram o parto humanizado e a cesariana para dar seu depoimento. Essas palestras devem ser gravadas e transmitidas em plataformas online, para obter um maior alcance. Dessa maneira, com as mulheres cada vez mais informadas, será possível vencer o desafio e promover mais partos humanizados no Brasil. A partir dessas ações, espera-se alcançar uma melhora no que concerne aos partos brasileiros.