Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/09/2020
A experiência do parto é capaz de mudar a vida de uma mulher para sempre. Nesse sentido, estudos publicados por universidades brasileiras e estrangeiras, como USP e Oxford, mostram que no momento do parto uma grande carga de hormônios ligada a sensação de felicidade e bem-estar é liberada no organismo,entre eles estão a ocitocina e a serotonina. Entretanto, no Brasil fatores como a mecanização excessiva e o grande número de cesáreas, intervenções cirúrgicas recomendadas em partos de risco, desnecessárias podem gerar sequelas graves na mulher, por exemplo depressão pós-parto. Por conta disso, é necessário promover o parto humanizado no Brasil, com o intuito de melhorar a saúde da mulher e seu bebê. Para isso, deve-se superar os principais desafios da prática do parto humanizado, que são a falta de informações confiáveis e a ausência de estrutura adequada para esse procedimento.
Atualmente, no Brasil, estão em pauta vários projetos que visam acabar com a propagação e disseminação de notícias falsas, Como a CPI das “Fake News”. Tal fato demonstra que a sociedade brasileira enfrenta uma crise relacionada à disseminação de informações. Essa conjuntura também prejudica o acesso ao parto humanizado, pois muitas mulheres não possuem conhecimento sobre seus direitos. Sobre isso, muitas mulheres, por não conhecerem os benefícios do parto humanizado, optam por parto cesáreo, mesmo que esse procedimento seja indicado apenas para situações de risco, por acharem que o parto normal e humanizado é mais danoso à saúde. Todavia, evidências científicas validadas pela Organização Mundial de Saúde apontam que a intervenção cesárea apresenta maior risco de complicações e menor velocidade de recuperação do pós-parto.
Em relação à estrutura, é factual que o Brasil possui um déficit estrutural relacionado à área hospitalar pública. Nesse contexto, é comum a veiculação de reportagens de todos os veículos de imprensa relatando hospitais com faltas de insumos básicos, como esparadrapo. Sob essa perspectiva, a implementação do parto natural e humanizado fica comprometida, porque esse tipo de procedimento espera que o parto ocorra da maneira mais natural possível, o que demanda tempo e por consequência um local apropiado para a mulher e os profissionais envolvidos.
Em síntese, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Saúde, passe a veicular informações sobre os benefícios do parto natural e humanizados nos meios de comunicação. Isso aumentará o nível de conhecimento e a preferência da mulher por essa modalidade de parto.Isso poderá ser feito através de um aumento no orçamento de tal ministério. Referente a parte estrutural, cabe ao Poder Executivo criar um novo órgão que fiscalizará a estrutura hospitalar, principalmente no que tange ao parto humanizado. Com tais medidas sendo tomadas, haverá uma melhora nos índices de parto humanizado em todo Brasil.