Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 21/09/2020
A manobra de Kristeller, usada para acelerar o nascimento de bebês ao aplicar força sobre o útero da gestante, é considerada como violência obstétrica, já que pode causar danos tanto à mãe como ao recém-nascido. Contudo, cerca de 25% das mulheres relataram já terem sido violentadas por especialistas da saúde durante o parto, segundo a Fundação Perseu Abrano. Com isso, faz-se imperiosa a análise do sistema de saúde quando se trata da humanização de partos, já que, mesmo sendo um processo natural, ocorre intervenção cirúrgica desnecessária.
Nessa linha, o avanço da medicina propiciou inúmeros resultados positivos para a manutenção da vida, como vacinas, contraceptivos e anestesias. Contudo, também houve avanços com intuito de ajudar em partos complicados, que ofereciam risco às mães e aos filhos. Não obstante, tal avanço acabou sendo considerado normal em um processo que naturalmente aconteceria sem qualquer intervenção da medicina. Nesse viés, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 55% dos partos no Brasil contam com intervenção cirúrgica.
Tal índice alto deve-se ao medo da dor durante o processo e ao sentimento de segurança proporcionado pelo conhecimento do médico presente. Todavia, o corpo feminino é preparado para parir: há dilatação de ossos durante a gravidez, assim como um preparo hormonal para amenizar a dor. Dessa forma, é indicado que haja acompanhamento médico pré-natal durante a gravidez, com o objetivo de evitar complicações. Porém, é necessário que os profissionais envolvidos instruam as gestantes quanto aos diferentes métodos que podem ser aplicados. Dessarte, o ato de conversar e apresentar opções que contem com menos interferência externa facilitarão com que as famílias tenham mais contato com formas diferentes de conceber a criança, de forma com que não gere traumas para nenhuma das partes.
Dessa forma, tendo em vista que a interferência cirúrgica é desnecessária na maioria dos partos, faz-se imprescindível a intervenção do Estado nesse quesito. É, portanto, dever do Ministério da Saúde promover, por meio de campanhas, aconselhamento médico sobre a humanização dos partos com o objetivo de que os profissionais informem as gestantes acerca dos diferentes métodos que podem ser aplicados. Somente dessa forma essa intervenção ecusada será apenas utilizada quando for realmente necessário.