Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 21/09/2020
A Constituição Federal promulgada em 1988, assegura à população o acesso a um serviço de saúde de qualidade gratuitamente a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, tal ótica se mostra distante da realidade prometida à sociedade, haja vista que o país enfrenta desafios para a promover o parto humanizado no Brasil, em virtude da falta de informação acessível às mulheres para que possam se preparar adequadamente para o parto e a violência obstétrica.
Primeiramente, vale ressaltar que o termo parto humanizado carrega em si interpretações diversas. Segundo Marília Largura autora do livro “A assistência ao parto no Brasil”, humanizar o parto é respeitar e criar condições para que todas as dimensões do ser humano sejam atendidas: espiritual, psicológica, biológica e social. Logo, as gestantes precisam ter a liberdade de decidir qual tipo de parto se encaixa melhor nas suas expectativas e de acordo com a sua saúde. Além dos benefícios que o parto humanizado pode trazer para o bebê e a gestante, como o menor risco de contrair doenças, um ambiente mais acolhedor e uma rápida recuperação.
Ademais, a violência obstétrica é caracterizada por assédio moral ou físico cortes e procedimento invasivos realizados sem a autorização da mulher, além das relações frias e falta de vínculo entre o profissional e gestante. Nesse panorama, segundo dados obtidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de países com maior porcentagem de cesáreas no mundo. Sob tal ótica, a cesariana, quando não tem indicação médica e um plano de parto pode ocasionar riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: o parto prematuro pode ocasionar problemas respiratórios para o recém-nascido e triplicar o risco de morte da mãe.
Fica claro, portanto, que a falta de informação e a violência obstétrica são agravantes dessa situação. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio das plataformas digitais, promover campanhas que incentivem um Plano de Parto e como se manifesta a violência obstétrica com o intuito de trazer mais informações a respeito da preparação adequada para a gestante, assegurando uma melhor qualidade na assistência do seu parto e uma experiência mais satisfatória dele. Além de garantir que as mulheres estejam mais cientes e confiantes para denunciar tais atos e que seus infratores obtenham suas devidas sanções, a fim de reduzir o número de agressões na sociedade.