Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 25/09/2020

Com os avanços da Medicina após a Segunda Guerra Mundial, o conceito de parto humanizado surgiu como escapatória das diversas violências obstétricas realizadas. Sob essa ótica, esse termo se popularizou e se tornou de fácil acesso em países industrializados, porém, no Brasil, ainda se te muitos desafios. Nesse contexto, é possível analisar que as adversidades mais notórias são: a comodidade dos trabalhadores da área da saúde e a ausência de múltiplas fontes de informação para a mãe.

Em primeira análise, tem-se que o ensino monótono das faculdades brasileiras inserem apenas uma perspectiva para o estudante, sendo ela reproduzida em série. De acordo com o modelo de produção fordista, um produto deve ser produzido em massa e repetidamente, de maneira análoga ocorre com o que é passado pelas unidades de ensino, um conceito engessado e sem visão prática que acaba por ser transmitido durante várias gerações. Dessa forma, fica evidente que o comodismo nas instituições recai negativamente sobre os profissionais e sobre os que estão em seus cuidados.

Em segunda análise, pode-se alegar que a privação que a figura materna tem sobre seu próprio corpo, por não ter acesso fácil ao conhecimento, interfere negativamente no processo de aceitar qualquer tipo de parto. Segundo Durkheim, um dos fatos sociais é a coercitividade - coerção para aderir um padrão -, o que se configura como realidade no meio da Ginecologia e Obstetrícia que, por ser uma área médica, as pessoas têm receio de ir contra e acabam não se opondo ou procurando outro ponto de vista. Desse modo, é perceptível que a não abertura para a paciente se expressar gera uma situação de coação e, consequentemente, a perda do local de fala.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade do Ministério da Saúde instituir medidas que visem uma maior participação da mulher em todos os passos de sua gestação. Isso pode ocorrer por meio de uma propaganda atemporal - em horário nobre televisivo - que conte com um disque denúncia para casos mais sérios e que debata sobre o fato de a saúde nacional contar com diversos profissionais prontos para o atendimento. Espera-se, com isso, sanar todos os desafios debatidos para, assim, promover o parto humanizado no Brasil.