Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 30/09/2020
Pawel Kuczynski, ilustrador e desenhista polonês, mostra em suas obras um meio social injusto, falido e com valores distorcidos. De maneira análoga às intenções artísticas do polaco, a desumanização do parto no Brasil é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a relevância de debater essa temática, seja pela imprescindibilidade de combater agressões durante este momento ou pela importância de asseverar proteção aos envolvidos.
Em primeira análise, é essencial destacar que o nascimento de crianças pelo método natural, resulta em menos riscos à mãe e ao bebê. Entretanto, devido aos recorrentes casos de violência obstétrica (abusos, desrespeitos, maus tratos) neste modo, a maior parte das gestantes optam pela cesariana apesar dela ofertar maiores perigos. Esse fato, demonstra um problema estrutural no atendimento prestado ao primeiro modelo de dar a luz. Sendo que, conforme o pensamento de Dalai Lama, monge budista tibetano, o amor e a compaixão são necessidades e não luxos, de forma que sem eles a Humanidade não pode sobreviver.
Outrossim, a brutalidade destinada pela equipe médica nesse período de fragilidade pode acarretar em sequelas físicas, mentais e emocionais nas grávidas e nos seus filhos. Contudo a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - todos os cidadãos têm direito à saúde e à segurança. Dessarte, se o cumprimento desse regulamento é o objetivo, o Estado deve combater práticas que ferem a dignidade e a integridade desse grupo.
Infere- se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolução da questão. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Congresso Nacional, restringir atos violentos durante o parto e fomentar a aceitação popular do modelo natural. Isso, por meio da criação de leis mais rígidas para penalização dos profissionais da saúde praticantes de ações hostis, desonrosas e agressivas no processo de nascimento e ainda, deve-se criar campanhas informativas - utilizando- se da distribuição de folhetos e cartilhas educativas e mesmo, da organização de palestras instrutivas para orientar a comunidade acerca dos benefícios do parto humanizado. Com o fito de garantir à melhora da qualidade de vida dessas brasileiras e de seus descendentes.