Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 22/09/2020

Durkheim define como Fato Social o poder de coerção da sociedade sobre as ações individuais. Nesse sentido, é possível notar a ocorrência de um Fato no Brasil: a normalização do parto cesárea, que torna o evento muito técnico e distante da humanização. Dessa forma, evidenciam-se duas questões principais envoltas ao tema, a desinformação dos futuros pais e a mercadorização da saúde.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a desinformação é um desafio central na tentativa de promoção do parto humanizado, já que muitas pessoas acreditam, por senso comum, que a cirurgia invasiva seja o método mais seguro e eficaz. Contudo, a Organização Mundial de Saúde afirma que nesse tipo de parto, a chances de morte materna é três vezes maior do que em um normal. Percebe-se, pois, que se os pais tivessem maior acesso à informação, a escolha mais coerente, na maioria dos casos, seria a de um parto de viés humanizado.

Ademais, há uma relação estreita entre a mercadorização da saúde e desumanização do nascimento, pois a cirurgia cesárea é mais lucrativa para o sistema de saúde particular, o que viabiliza que alguns profissionais indiquem o procedimento de forma mais contundente. Por conseguinte, o custo do processo não natural é 50% maior que o normal, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Assim, nota-se que o processo é mais caro exatamente por oferecer mais riscos, o que não é agradável para o paciente e nem para o médico.

Sintetiza-se, pois, que existe a necessidade de ressignificação do parto no Brasil. Para isso, as faculdades de saúde devem promover informações sobre as formas possíveis de dar à luz, por meio de palestras abertas ao público, com linguagem simples e acessível. Com isso, o Fato Social vigente tenderá à mudança e, então, a sociedade se aproximará da humanidade no nascimento.