Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

Conquanto, consoante à OMS, a recomendação da realização de cesáreas seja de 15%, o Brasil é o segundo país no mundo que mais realiza partos cirúrgicos devido à falta de informação e poder de escolha fornecidos à mulher acerca de seus direitos durante a gestação. Ademais, esses mesmos fatores dificultam a promoção do parto humanizado que poderia protagonizar a mulher nesse momento singular da vida.

Com o intuito de emponderar a mulher, o parto humanizado surge em contraste com a violência obstétrica, em que a mulher sofre assédios físicos e psicológicos e é muitas vezes submetida aos procedimentos sem a sua autorização. Conforme a Fundação Perseu Abramo, um quarto das brasileiras em 2010 sofreu violência física ou psicológica durante o parto. Ademais, a humanização do parto é relacionada ao respeito com a gestante, suas vontades e emoções, visando, sempre que possível, a mínima intervenção, mas mesmo assim conta com acompanhamento especializado em caso de risco iminente.

Apesar de o nascimento humanizado ser considerado a forma mais segura, ainda, de acordo com o Ministério da Saúde, 55% dos partos no Brasil são cirúrgicos. Isso ocorre uma vez que mulheres e famílias desinformadas desconhecem de seus direitos acabam perdendo o poder de decisão. Além disso, os hospitais públicos brasileiros não dispõem da estrutura necessária para fornecer conforto e segurança para o feto e a mãe. Tal fato aliado à falta de “profissionais humanizados” que não visam lucro unicamente dificulta a escolha da mulher pelo que é melhor para ela.

Portanto, compete ao governo e as mídias tomarem medidas conjuntas. Cabe ao Ministério da Educação, por via de palestras e campanhas, informar sobre os benefícios do parto humanizado e direitos da gestante para que as famílias fiquem cientes dessa possibilidade e possam usufruir de seus benefícios. Ademais, o Poder Legislativo deve elaborar leis com punições mais severas acerca de crimes obstétricos. Assim, o nascimento torna-se um momento ainda mais emocionante e não mais traumático.