Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

A obra “Desespero” do pintor francês Gustave Coubert mostra um jovem com um rosto muito angustiado e sofrido, como se procurasse ajuda. De certa forma, esse é o sentimento de algumas gestantes, submetidas a partos traumáticos, visto que o Brasil enfrenta uma série de desafios para promover nascimentos humanizados, seja pelo espírito capitalista dos hospitais, ou pela falta de informação das grávidas. Portanto, essa situação caótica prejudica o bem-estar de mães e filhos.

Segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, “o bem é aquele que atinge o maior número possível de pessoas”. Porém, não é assim, pois muitos médicos só se preocupam com o número de partos, se preocupando apenas com o lucro e, mesmo que não seja necessária, a cesárea é realizada por ser um procedimento rápido e prático apesar dos muitos riscos para a mãe e para o bebê, como hemorragias internas ou o não desenvolvimento correto do sistema imunológico da criança. Com isso, os comportamentos mercantilistas de muitos obstetras prejudicaram a popularização da produção humanizada,  infinitas vezes mais benéfico.

Além disso, o filósofo Kant definiu o processo pelo qual os indivíduos deixam de formar opiniões de terceiros como autonomia. No entanto, a maioria das gestantes, pela falta de informação sobre partos humanizados, optam por cesáreas, feito em um centro cirúrgico frio e impessoal, o que vai de encontro à dinâmica humanista, que é realizada no local escolhido pela gestante, podendo ser uma piscina, por exemplo, além de dar um posicionamento ativo à mulher, que é protagonista de seu parto, e não apenas uma paciente. Desse modo, a disseminação de nascimentos cesarianos é apenas uma opção que a gestante possui, não sendo obrigatório ter seu parto realizado dessa maneira. Pessoas acusam que cesáreas são como “roubar" o momento único da mãe, sendo que o parto humanizado não só é saudável e seguro, mas também estabelece um forte vínculo afetivo entre mãe e filho.

Portanto, é necessário que o Estado puna hospitais que realizam procedimentos cesáreos desnecessários apenas para lucrar mais, através de órgãos como o Conselho Federal de Medicina (FRM), que deve fiscalizar e multar instituições que desrespeitem as diretrizes adotadas, a fim de garantir o aumento da quantidade de partos naturais e humanizados. Cabe ainda a essa instituição de poder investir em propagandas, mostrando à população gestante as inúmeras vantagens de procedimentos humanizados, a fim de evitar o sentimento descrito por Coubert.