Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 27/09/2020
Países desenvolvidos, como a Inglaterra e a França, possuem uma elevada quantidade de partos realizados naturalmente, sendo assim, um fator benéfico, devido à cesárea potencialmente triplicar o risco de morte da mãe durante o procedimento do parto, segundo dados do Ministério da Saúde (MS) .Contudo, o que é realidade na Europa aparenta ser utopia no Brasil, o que reflete a desumanização do parto na sociedade verde e amarela. Com efeito, o desafio evidencia-se, sobretudo, pelo desconhecimento das sequelas da cesárea ,o que, como efeito, acarreta a violência obstétrica.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a insciência do povo brasileiro sobre a gravidade da cesariana atua como um agente perpetuador da concepção insensibilizada . Acerca disso, o sociólogo Sigmund Freud, em sua obra Totem e Tabu, descreve os totens como elementos valorizados na sociedade e os tabus como condutas reprováveis, logo, pouco discutidos. Nesse sentido, o tabu da cesária revela-se pela falácia popular de supostamente essa ser mais segura e rápida. Todavia, conforme avaliado pelos dados do MS, não passa de uma informação falsa e perigosa, em razão de 70% das mulheres brasileiras optarem por essa modalidade, conforme informações disponibilizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, em 2015. Posto isso, é inaceitável o posicionamento ativo da sociedade brasileira na perpetuação do problema.
Por conseguinte, a “tabutização” do parto pode também, consequentemente, acarretar a violência obstétrica.Sob esse aspecto, o atendimento de médicos e enfermeiros que negligenciam os direitos sociais das mulheres a anestesia durante o nascimento da criança, por exemplo, demonstra não somente uma irresponsabilidade profissional, mas também a desumanização do parto, em que a mulher é titulada apenas como mais um dado - ponto de vista que fere a integridade da mãe e do bebê. Comprova-se, assim, por uma pesquisa divulgada pela Fundação Perseu Abramo, que uma a cada quatro mães já sofreram agressões verbais ou físicas no decorrer do parto. Ainda nessa lógica, tal interpretação sobre a figura materna pelos especialistas da saúde é capaz de gerar danos psicoemocionais a ela. Destarte, é inadmissível tal quadro.
Portanto, a fim de suprimir o hiato entre o cenário europeu e o brasileiro é necessário afrontar os desafios para promover o parto humanizado no Brasil. Dessa maneira, a mídia deve promover ações de “merchandising” social - diálogos com fins educativos nas imprensas - por meio da inserção de temas relacionados à humanização do parto em telenovelas, filmes e peças de teatro. Enquanto isso, fertilizar uma reflexão da comunidade sobre a importância de dialogar sobre o parto. Espera-se, sob tal perspectiva,a “totemtização” do discurso acerca da mazela, como também o fim da violência obstétrica.