Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/09/2020

O parto humanizado pode ser entendido como um procedimento que considera o protagonismo da mãe, priorizando suas vontades e necessidades, e o processo natural de nascimento do bebê em um ambiente acolhedor com profissionais éticos e solidários. Apesar de ser o método indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), essa prática enfrenta alguns obstáculos e desafios no Brasil. Dentre eles, dois aspectos se destacam: o medo das gestantes de vivenciarem a dor do parto normal e de sofrerem violência obstétrica em um parto normal, mas não humanizado.

Em primeira análise, ressalta-se o papel da cultura em perpetuar a ideia de dor e sofrimento do procedimento natural, sendo este o principal motivo das gestantes optarem pela cesárea. Esse método rápido e aparentemente indolor é, de forma indevida, incentivado pelos profissionais da saúde. Eles acabam expondo suas pacientes a um risco de vida desnecessário e negligenciam as recomendações da OMS, de haver apenas 15% de cesáreas no país, e não de 55%, conforme exposto pelo Ministério da Saúde.

Em segunda análise, é indiscutível que nem todo parto normal é humanizado. A forma de se conduzir o procedimento, muitas vezes, não condiz com os padrões aceitáveis atualmente. Assim, a utilização de aparelhos e medicações para indução do parto, métodos invasivos desnecessários e que desconsideram os desejos e escolhas das pacientes saudáveis configuram um quadro de violência obstétrica, com capacidade de afetar saúde física e emocional destas mulheres, e sendo mais um incentivador dos métodos cirúrgicos. Essa prática pouco sensibilizada necessita ser enxergada como crime, pois fere o artigo 196 da Constituição que afirma que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

Portanto, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com órgãos fiscalizadores, promover a ampliação de políticas que favoreçam a prática de humanização do parto no Brasil, observando e punindo os profissionais que negligenciarem a naturalidade de um nascimento, salvo quando houver a necessidade de intervenções mais invasivas. Assim como, é dever do Ministério da Educação, em parceria com Universidades de Medicina e Enfermagem, desenvolver métodos para garantir uma maior sensibilização e empatia nas relações médico-paciente por meio de atividades sensitivas em sala de aula. Dessa forma, os aspectos emocionais e humanos serão atendidos e o parto humanizado no país, mais desejado.