Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/09/2020

“Que maravilha seria se ninguém precisasse esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão da vida perfeita idealizada por Anne Frank, ao escrever seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, os desafios para promover o parto humanizado no Brasil revelam uma realidade distante desse cenário de sonhos. Isso se deve à falta de atitude do governo e à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.

Em primeiro lugar, vale destacar que a ineficácia governamental é um grande desafio na promoção do parto humanizado no Brasil. Essa correlação fundamenta-se no fato de que tal procedimento ainda é desprezado pela Assembleia Legislativa, uma vez que, segundo pesquisas divulgadas pelo jornal O Globo, mais de 57% dos parlamentares brasileiros não prioriza essa temática. Nesse sentido, há a colaboração para a perpetuação de partos que estejam centralizados no médico e na instituição e não na gestante, diferentemente dos avanços ocorridos na legislação de Santa Catarina, a qual priorizou e tornou obrigatório a presença de assistentes vinculadas a esse tipo de parto. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparada a um crime contra toda a comunidade.

Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade é outro desafio no estímulo ao parto humanizado no Brasil. Isso pode ser comprovado pela fala do Doutor Dráuzio Varella que declarou, em entrevista à revista Le Diplomatique Brasil, que tal problemática está alicerçada, sobretudo, na omissão social no que diz respeito a divulgação sobre essa temática, tanto por parte dos médicos (além da própria instituição), como também pela falta de discussão entre os familiares, nas redes sociais, entre outros meios. Nesse ínterim, a desinformação contribui pela exclusão da opção do parto humanizado pela maioria das gestantes, haja vista que, segundo dados sociológicos, cerca de 60% das mulheres no país não tem o devido esclarecimento sobre esse parto, o que evidencia a necessidade de mudanças.

Infere-se, portanto, que a falta de atitude do governo e a omissão social são desafios na promoção do parto humanizado no Brasil. Logo, a fim de mitigar tal problemática, é imperativo que a Assembleia Legislativa elabore leis voltadas para a devida implementação desse parto nas instituições públicas e privadas. Tal lei deve visar a obrigatoriedade de uma assistente individual (como é obrigatório em Santa Catarina), assim como os aspectos fisiológicos da mulher. Paralelamente, é necessário que debates televisivos, com especialistas no parto humanizado, além de mulheres que já tiveram tal experiência, e campanhas midiáticas sejam divulgadas, a fim de ampliar o conhecimento sobre tal questão, mesmo em locais longínquos. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para o benefício de todos.