Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 05/10/2020

O documentário ‘’ Renascer do Parto 2’’ denuncia a triste realidade que muitas gestantes enfrentam no Brasil: A violência obstétrica. Esta pode se manifestar em todo período gestacional, durante o parto e no puerpério, de maneira física, verbal ou psicológica, um mal que atinge tanto o sistema público quanto o privado. Nesse contexto, a desumanização da mulher na gravidez é extremamente danosa, sendo uma propagação da visão histórica da sociedade sobre o corpo feminino, e que implica consequências drásticas.

Primeiramente, é válido analisar que a violência obstétrica é originada do reflexo da opressão de gênero, de forma a atingir a mulher em um dos momentos mais delicados de sua vida. Neste sentido, o machismo presente na sociedade também reverbera em hospitais, o qual desumaniza a gestante quando ignora suas necessidades naturais e dores, transformando a parturiente em uma finalidade a ser alcançada: apenas dar a luz. Além disso, é também responsável pela propagação da problemática à escola clássica de medicina, que apenas ensina os métodos para chegar ao parto, retirando o protagonismo da mãe e colocando-a em um papel passivo na realização do procedimento. Vê-se, pois, que a coisificação do parto tem raízes profundas e necessita ser combatido.

Ademais, a desumanização do parto pode resultar em traumas físicos e psicológicos tanto para a mãe quanto para o recém-nascido, a exemplo disso está os diversos procedimentos que foram banidos pelo Ministério da Saúde e que continuam sendo realizados. Tal como a manobra de Kristeller (que consiste em empurrar com os braços de outrem o topo do útero da mulher para forçar a saída da criança), o ‘’ponto do marido’’ e a utilização do fórceps para retirada do bebê. Dessa forma, é perceptível que o descumprimento de normas que tem como objetivo naturalizar a concepção trazem inúmeros danos, assim como demonstrado no documentário ‘’O Renascimento do Parto 2’’.

Sendo assim, diante dos riscos oferecidos pela desumanização do parto é imprescindível a desconstrução de tal ato. Para isso, cabe ao Ministério da Educação garantir o ensino de saúde humanizada - que consiste em tratar o paciente além da enfermidade ou procedimento-. Implementado na matriz curricular disciplinas que valorizem a importância da integralidade das profissões que atuam na área de saúde, tanto no particular quanto no público e assim garantir procedimentos menos invasivos e humanizados. Compete, também, o Ministério da Saúde a realização de cursos e seminários que visem atualizar os profissionais formados na escola clássica, e assim promover um olhar mais responsável sobre os pacientes.