Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 07/10/2020
No filme “O Renascimento do Parto”, é retratada a grave situação obstétrica, que se caracteriza por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias. No contraste fictício com a realidade brasileira, comprava-se a importância de discutirmos, ainda mais, o tema no país. Assim, mostra-se relevante pensar nos desafios para promover o parto humanizado no Brasil, uma vez que a carência de informação sobre o assunto e a ignorância governamental em não tratar o tema como questão pública de fato, configuram as maiores problemáticas desse pernicioso cenário.
Em primeira análise, o parto é um momento marcante e de conexão entre a mãe e o bebê, entretanto, vem sendo artificializado nos últimos anos com o número alarmante de cesáreas feitas sem que haja a real necessidade. A cesariana é indicada principalmente quando a mãe ou o bebê correm risco de vida, porém, na grande maioria nos casos, as mulheres procuram essa técnica pela construção social de que é a mais segura. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2011 mostram que 53,7% dos partos no Brasil eram cesáreas, a maior taxa do mundo. Nesse sentido, não há dúvidas de que há um amplo número de mulheres carentes de conhecimento sobre os benefícios do parto normal.
Ademais, não se pode negar que a cesariana é um recurso valioso para salvar vidas e deve ser usada num quadro crítico, no entanto, caso não seja assim, pode trazer grandes problemas para mãe e para seu filho, como o nascimento prematuro e problemas respiratórios no decorrer do crescimento da criança. Em suma, o Artigo 196 da Constituição exprime “a saúde é um direito de todos e um dever do Estado”, logo, se o estado não cumpre com seu encargo, o artigo está sendo desrespeitado. Desse modo, a problemática permanece sendo negligenciada governamentalmente, tendo em vista que, além de ser ignorada com uma problemática de saúde pública, ainda é vista como “normal”.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para promover o parto humanizado no Brasil. Logo, é dever da mídia, em conjunto com o Ministério da Saúde, promover debates elucidativos sobre o parto humanizado, por meio de propagandas, documentários e reportagens, os quais retratem, de maneira fidedigna, a questão do parto humanizado e seus benefícios, com o intuito de trazer mais informação para a população, e, ainda mais, numa perspectiva futura, o decaimento dos números de cesáreas e novos indivíduos mais saudáveis. Outrossim, cabe ao Governo, em parceria com instituições de ensino, oferecer cursos de capacitação dos profissionais obstetras para o parto normal, a fim de garantir, assim, a saúde física e mental, tanto da mãe, como do bebê.