Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 19/10/2020
‘‘Multiplicarei grandemente o teu sofrimento na gravidez e com dor dará luz à filhos’’ o versículo de Gênesis 3-16, demonstra que a mulher seria subjugada as dores fisiológicas do parto. Porém, na modernidade brasileira, as dores enfrentadas por essas mulheres são mais que biológicas, visto que técnicas invasivas colocam o bem estar em segundo plano. Assim, se pode atribuir o problema tanto a precariedade do sistema de saúde quanto a ausência de conciliação entre o Estado e instituições que promovem o parto humanizado.
Em primeira análise, a fragilidade do Sistema Único de saúde (SUS) coloca as parturientes em situação coerciva aos procedimentos hospitalares. Por exemplo, na série ‘‘O renascimento do parto’’, da Netflix, retrata casos reais de brasileiras que sofreram algum de tipo de intervenção no momento do parto sem o consentimento das pacientes, por vezes, desnecessárias e ariscadas e ao questionarem os médicos e enfermeiros o real motivo da indução do processo conceber era a grande demanda de pacientes, logo exigindo medidas ágeis, porém, desumanas e inaceitáveis. Dessa forma, é evidente que a saúde brasileira está em colapso e consequentemente comprometendo a saúde das cidadãs e seus filhos, de modo que o bem estar dos pacientes é negligência, deixando sequelas físicas e emocionais.
Além disso o falta de parceria entre Governo e instituições habilitadas para promover o parto normal gera o agravamento da população em excesso nos hospitais, além de, altos índices de cesarianas sem necessidade. De acordo com o G1 SP, embora a capital seja referência internacional por seu desenvolvimento, os projetos humanitários para a expansão do parto natural conta com somente duas unidades, com capacidade de 40 pessoas, em todo o estado. Desta forma, a falta de assistência a tais projetos tem efeitos alarmantes, pois as unidades hospitalares não contam com o suporte para oferecer um atendimento não só técnico, mas também que ofereça a melhor experiência para mãe e bebê.
Em suma, é imprescindível que se tomem ações para a expansão do parto humanizado, para que o tal momento não seja uma experiência traumatizante, mas natural e segura. Assim sendo, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, juntamente a OGN’s façam parceria, por meio de verba estatal, seja direcionada a capitais e municípios com assistência de UBS’s (Unidade Básica de Saúde) para o acompanhamento das gestantes com médicos durante o pré-natal que avaliem e informem sobre as possiblidades de parto, tendo em vista procedimentos cirúrgicos em casos de riscos, a fim de que a dor sentida como de Gênesis seja apenas passageira e não sequelas, tal que o bem estar da população feminina seja por principal.